Etiópia corta a Internet em todo o país durante os exames nacionais

Governo tenta evitar repetição de fuga de informação ocorrida há três anos.

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Reuters/DYLAN MARTINEZ

A Etiópia ficou completamente offline, esta terça-feira, entre as 7h30 e as 12h30 locais, período que coincidiu com o segundo dia de exames escolares nacionais. A Ethiopia Telecom, única empresa fornecedora de Internet naquele país africano, desligou o serviço temporariamente.

Esta informação foi avançada pela associação não-governamental NetBlocks, que monitoriza acções de censura na Internet e que indica que recorda não se trata da primeira vez que a Internet é suspensa na Etiópia durante a época de exames, apesar de as autoridades não confirmarem que esse tenha sido o motivo.

Num gráfico traçado pelo grupo, é possível perceber que, de um momento para o outro, o tráfego digital no país deixou de existir, tendo sido novamente retomado ao início da tarde. 

Em 2016, um grupo divulgou na Internet os enunciados dos exames do 12.º ano. No ano seguinte, numa tentativa de impedir a repetição do incidente, a Internet foi completamente desligada no país durante um período superior a 24 horas. Em 2018, o corte voltou a repetir-se: três horas por dia, durante uma semana, ninguém conseguiu aceder à Internet. 

Mohammed Seid, director de relações públicas do Gabinete Etíope de Comunicações Governamentais, explicou na altura à Reuters que a medida tinha sido uma estratégia para neutralizar novas fugas de informação: “O corte [de Internet] tem como alvo a prevenção da repetição das fugas que ocorreram o ano passado. Estamos a ser proactivos. Queremos que os nossos estudantes se concentrem e estejam livres das pressões e distracções psicológicas que isto traz.”

O caso também não é inédito no continente africano. Em Junho de 2016, a Argélia bloqueou o acesso às redes sociais para impedir a troca de informações durante a realização dos exames nacionais.