Adeptos do FC Porto protestam frente ao tribunal após condenação no caso dos e-mails

Cerca de 150 pessoas juntaram-se, esta segunda-feira, à porta do Tribunal Judicial da Comarca do Porto, questionando sentença e pedindo que o Benfica seja julgado pelo conteúdo da correspondência electrónica revelada pelos “dragões”.

Adeptos pedem que conteúdo dos emails seja investigado
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Adeptos pedem que conteúdo dos e-mails seja investigado Miguel Dantas

O apelo começou nas redes sociais após a saída da sentença relativa aos e-mails do Benfica. À porta do Tribunal Judicial da Comarca do Porto, onde, na sexta-feira, o FC Porto foi condenado a pagar uma indemnização de aproximadamente dois milhões de euros ao Benfica pela divulgação da correspondência electrónica dos “encarnados”, cerca de 150 adeptos dos “dragões” concentraram-se por volta das 15h. Vestidos com as cores do clube, empunhando cartazes onde se pedia “prisão para os corruptos”, exigiam que as mensagens presentes nos e-mails fossem alvo de investigação. 

Miguel Nascimento, com uma bandeira monárquica aos ombros, era o porta-voz do grupo de adeptos e foi o autor da publicação inicial que levou à concentração. “Fui eu que lancei a ideia por escrito, imediatamente após a sentença. Foi algo absolutamente espontâneo. O Porto que pague os dois milhões e que o Benfica pague 200 milhões. Aquilo que têm feito nos bastidores é uma vergonha”, afirmou o sócio dos “dragões”. 

Apesar de a concentração ter como âmago a condenação de sexta-feira, os adeptos “azuis e brancos” tinham vários dedos a apontar à Justiça. “Não é o Porto que está aqui em questão. É o sistema judicial em geral. Quem não tiver recursos, morre. O Porto tem recursos para andar nesta guerra. Quero é que a Justiça seja séria para todos, dá mesmo a entender que está viciada e refém dos poderes”, dizia um adepto, que desejou não ser identificado. 

Lurdes Santos, equipada com as cores do clube, não teve papas na língua. “Há uma ligação muito grande entre o Governo e o Benfica. Se temos factos verídicos que o Benfica tem uma estratégia montada, o chamado ‘polvo’, como é que vão condenar uma pessoa que apenas está a fazer chegar a todos aquilo que se está a passar?”, questionou a associada, propondo uma concentração em frente à Assembleia da República. 

A revolta da adepta era comum aos que se concentravam à porta do tribunal, numa concentração que não contou com a participação das claques “azuis e brancas”. José Santos, equipado com uma camisola que mostrava o painel dos Super Dragões exibido na partida frente ao Sporting (onde as caras dos jogadores das “águias” foram trocadas pelas de várias figuras governativas, do mundo do futebol e da Justiça), afirmava que a condenação é “um presente envenenado para o Benfica”, pois demonstra a veracidade da informação contida na correspondência electrónica.

PÚBLICO -
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Adepto envergou camisola com a tarja exibida pelos Super Dragões

Por volta das 15h30, os cânticos dos adeptos “azuis e brancos” iam-se esmorecendo rapidamente, mas a chegada do conhecido trompetista do clube deu uma nova vida ao protesto que foi maioritariamente pacífico.

O único momento de tensão deu-se aquando da chegada da equipa de imagem da CMTV ao local. Alguns adeptos “azuis e brancos” ameaçaram os membros da estação televisiva, que se viram obrigados a abandonar o local com o acompanhamento das autoridades.