Quase 70 candidatos por ano para inovadora imunoterapia em Portugal

Tratamento já começou e vai, numa primeira fase, abranger oito doentes que serão tratados no IPO do Porto e Lisboa

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Paulo Pimenta

Mais de mil pessoas no mundo já terão sido tratadas com esta terapia genética. Em Portugal, o tratamento foi iniciado recentemente ao abrigo de um pedido de autorização especial. “Este programa é gratuito (a empresa dispensa o medicamento) para o SNS e o acesso é através de autorização de utilização excepcional pedida pelo hospital identificado como tendo todas as condições para esta terapêutica (numa primeira fase, o IPO de Lisboa e Porto)”, esclarece ao PÚBLICO o gabinete de assessoria de imprensa da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

Apesar de confirmar que os dossiers submetidos pelas duas empresas farmacêuticas (Gilead e Novartis) estão em avaliação, sobre o único pedido feito e já aprovado para a Gilead o Infarmed adianta que este obedece a uma série de requisitos. A terapia tem indicação para o tratamento de doentes adultos com linfoma difuso de grandes linfócitos B e linfoma primário de grandes linfócitos B do mediastino. Não é demais lembrar que nem todos os doentes com estes tipos de cancro são candidatos a esta terapia, sendo necessário que cumpram uma série de critérios.

“A partir do momento em que foi submetido o primeiro processo de avaliação fármaco-económica para tratamento com células CAR-T em Portugal, o Infarmed avaliou ser necessário criar um grupo de trabalho”, refere, acrescentando que este grupo “reuniu-se por três vezes e os critérios apresentados foram aceites de forma consensual, e foram aprovados os locais de administração da terapêutica (IPO de Lisboa e do Porto)”. O grupo de trabalho é constituído pela Direcção-Geral da Saúde, pelo Registo Oncológico Nacional, pela Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde do Infarmed e o coordenador Nacional das Doenças Oncológicas.

De resto, o Infarmed confirmou ao PÚBLICO que, de acordo com o Registo Oncológico Nacional, existirão, por ano, 64 doentes diagnosticados com os dois tipos de linfoma e cinco doentes diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda “elegíveis para tratamento” em Portugal.