Felipe VI convida Sánchez a formar governo

O líder socialista revelou não ter parceiros preferenciais. Unidas-Podemos quer coligar-se com o PSOE, enquanto PP e Ciudadanos já descartaram qualquer tipo de apoio a Sánchez.

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Sánchez acredita conseguir formar um Governo estável LUSA/Juan Carlos Hidalgo/ POOL

O rei de Espanha, Felipe VI, convidou o líder do PSOE, Pedro Sánchez, a formar governo. O líder socialista revelou querer iniciar negociações com o Unidas-Podemos, Partido Popular e Ciudadanos para viabilizar um executivo por si liderado, recusando-se a ter parceiros preferenciais. Os partidos de direita PP e Ciudadanos já disseram a Sánchez que não contasse com eles.

“Não há outra alternativa: ou governa o PSOE ou governa o PSOE”, disse o líder socialista depois do encontro com o chefe de Estado no Palácio da Zarzuela. “Na próxima semana começarei a ronda de contactos com os três principais partidos que podem apoiar ou bloquear a investidura”.

Posição corroborada pouco depois pela porta-voz do Governo cessante, Isabel Celaá: o Podemos foi o “parceiro preferencial” mas “agora estamos numa nova fase em que apelamos à responsabilidade de outras forças políticas”. E argumentou que todos “têm de ler bem os resultados das eleições”, numa referência à queda do Partido Popular sob a liderança de Pablo Casado (passou de 137 deputados para 66) e do Unidas-Podemos.

O Unidas Podemos, liderado por Pablo Iglesias, já deixou bem clara a sua disponibilidade para integrar uma coligação governamental com os socialistas, mas Sánchez evitou, nas últimas semanas, qualquer contacto nesse sentido até à reunião com o rei de Espanha.

Tendo em conta a polarização política em Espanha e o ciclo político anterior, de apoio parlamentar do Unidas-Podemos ao executivo minoritário do PSOE, o partido de Iglesias é considerado a escolha mais óbvia para Sánchez formar um Governo estável – foi isso mesmo que o líder de esquerda-radical transmitiu esta semana ao rei.

Todavia, Iglesias acredita que o líder socialista prefere contar com o apoio parlamentar ou até coligar-se com o Ciudadanos – narrativa por si usada na campanha eleitoral. “O que o PSOE fez nestes 15 dias foi estender a mão ao Ciudadanos. Não estaria a mentir se dissesse que se o Ciudadanos decidisse facilitar a investidura seria a opção preferida para o PSOE”, afirmou Iglesias, sublinhando de seguida a sua disponibilidade para entrar no Governo ao lado dos socialistas – a condição para apoiar o PSOE.

Mesmo que chegue a acordo com o Unidas-Podemos, Sánchez terá de assegurar os votos a favor de formações políticas mais pequenas – Partido Nacionalista Basco (6 deputados), Coligação Canária (2), Compromisso (1) e Partido Regionalista da Cantábria (1).

O Partido Popular e o Ciudadanos recusaram qualquer tipo de apoio a Sánchez na formação do executivo. O líder do Ciudadanos, Albert Rivera, chegou inclusive a apelar a Sánchez para que “construísse uma maioria com os seus parceiros do Podemos, Bildu, PNV e independentistas”. “Vamos fazer uma oposição firme ao governo”, garantiu Rivera, que há muito anseia substituir os populares na liderança da oposição.

Já Casado exigiu que o início da legislatura não fosse marcado nem por atrasos nem por “tacticismos” político-eleitorais, argumentando com o abrandar da economia e o bloqueio da questão catalã.

Sánchez afirmou inúmeras vezes ter ganho as eleições e ter o direito de governar, mas os resultados eleitorais (conseguiu 123 deputados em 350) das últimas eleições legislativas obrigam-no a negociar. Foi a primeira vez que um candidato a presidente de Governo, diz o Público.es, se encontrou com o rei sem falar com líderes de outras forças políticas, no que pode ser visto como estratégia para elevar a pressão sobre as restantes lideranças partidárias.

O Palácio de Moncloa não descarta a possibilidade de forçar eleições antecipadas se o desenrolar das negociações para a formação do executivo não forem do seu agrado. Segundo o Público.es, os socialistas acreditam que forçar eleições antecipadas por falta de apoio parlamentar os irá favorecer. Mas, por agora, nem Moncloa nem o PSOE estão a contemplar seriamente essa hipótese.