Nadal vence Federer e está na 12.ª final de Roland Garros

O tenista espanhol vai defrontar no encontro decisivo o vencedor do embate entre o sérvio Novak Djokovic, número um do mundo, e o austríaco Dominic Thiem, quarto do circuito.

Rafael Nadal
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Rafael Nadal LUSA/JULIEN DE ROSA

Já se esperava um dia com condições bastante adversas em Roland Garros, dada a passagem da tempestade Miguel por Paris. Mas nem Rafael Nadal, nem Roger Federer estavam preparados para o muito vento que se fez sentir durante a meia-final. Os dois tenistas fizeram o que puderam para se adaptar, mas o nível de jogo só pontualmente é que esteve à altura da reputação dos dois campeões. No final, ganhou a maior solidez e consistência de Nadal que, pela 12.ª vez, vai estar na final de Roland Garros. O outro finalista só será conhecido neste sábado.

“As condições eram muito duras, difíceis de gerir. Foi um dia para focar, aceitar todas as adversidades e focar-me apenas nas coisas positivas, sempre”, resumiu Nadal, após a sexta vitória sobre o rival em outros tantos duelos travados em Roland Garros, mas a primeira desde Janeiro de 2014, pelos parciais de 6-3, 6-4 e 6-2.

As condições húmidas e o vento que soprou em rajadas impediram Federer de ser eficaz no seu ténis ofensivo, o que aliado à tenacidade e capacidade defensiva do espanhol, impediram que o equilíbrio registado no set inicial se mantivesse.

“No segundo set, arrependo-me de sofrer o break para 2-0 com o vento nas minhas costas”, referiu Federer, que viria a igualar. Mais chocante foi quando serviu a 4-4 (40-0) e… sofreu um break. Nadal aproveitou para concluir o segundo set e, no terceiro, o suíço deixou de acreditar: só colocou nove primeiros serviços e não dispôs de qualquer break-point. “Tive mini oportunidades, mas não suficientemente grandes para vencer o encontro”, resumiu Federer, que não deu a certeza de regressar a Roland Garros. “Surpreendi-me ao chegar tão longe neste torneio. Desfrutei da época de terra batida e de Roland Garros o que aumenta as possibilidades de regressar”, adiantou o suíço, que fará 38 anos em Agosto.

Ao atingir a final de Roland Garros pela 12.ª vez, Nadal igualou o recorde no mundo do ténis que era detido por Martina Navratilova (12 finais em Wimbledon). Mas só neste sábado saberá qual será o seu derradeiro adversário, pois a chuva acabou mesmo por surgir em força e interromper a segunda meia-final, entre Novak Djokovic, líder do ranking e vencedor dos últimos três torneios do Grand Slam, e Dominic Thiem, o único tenista no activo com menos de 28 anos que já disputou uma final de um major. O encontro será retomado neste sábado, com Thiem a vencer por, 6-2, 3-6 e 3-1.

A mais jovem final desde 2008

No torneio feminino, Ashleigh Barty, de 23 anos, e Marketa Vondrousova, de 19, vão disputar a mais jovem final de um torneio do Grand Slam desde 2008 – quando Ana Ivanovic (com 20 anos) venceu Dinara Safina (22) em Roland Garros. A teenager checa imita a compatriota Lucie Safarova, em 2015, ao chegar ao derradeiro encontro sem ceder um set. E na meia-final, esteve muito perto de ceder um, mas Johanna Konta (26.ª) não aproveitou as vantagens de 5-3 em ambas as partidas.

Perante cerca de 1500 pessoas, no court Simonne Mathieu – o que mereceu o repúdio dos responsáveis pelo ténis feminino, mas que foi justificado pela organização com o facto de as finalistas poderem ter o mesmo tempo de recuperação até à final – Vondrousova (38.ª) entrou mais nervosa, mas no final de cada set, foi a britânica, a única das quatro semifinalistas que já tinha estado nesta fase de um Grand Slam, a acusar o momento. E a checa venceu, com um amortie, por 7-5, 7-6 (7/2).

Depois do Open da Austrália, concluído no final de Janeiro, Vondrousova nunca perdeu antes dos quartos-de-final nos cinco torneios que realizou e detém o melhor registo no circuito feminino desde então: 27 vitórias para cinco derrotas. Neste sábado (14 horas), vai pisar o court Philippe Chatrier pela primeira vez.

Barty (8.ª) tem mesmo o melhor registo de 2019, com 30 vitórias em 35 encontros. A última foi diante da prodígio norte-americana Amanda Anisimova, de 17 anos, por 6-7 (4/7), 6-3 e 6-3.

Um encontro que foi uma autêntica montanha-russa, com a australiana a chegar a 5-0 ao fim de 12 minutos, perdendo somente três pontos. Anisimova (51.ª) salvou dois set-points e ganhou 10 dos 11 jogos seguintes, vencendo o tie-break pelo meio. A partir do 0-3 do segundo set, Barty reencontrou o seu ténis variado e alinhou sete jogos consecutivos, para ganhar a partida.

Mas Anisimova foi a primeira a obter um break no set decisivo e liderou por 2-1. Só que Barty reagiu de imediato e depois de devolver o break, mostrou a sua maior experiência – já esteve na final de pares femininos nos quatro majors –, foi a mais consistente e soube lidar melhor com as condições húmidas e de interrupção iminente pela chuva, o que não chegou a acontecer.