NASA vai permitir visitas turísticas à Estação Espacial Internacional

Agência espacial dos EUA também perspectiva um regresso à Lua, agora das mulheres. Donald Trump já disse que não é na Lua que devemos ficar, é para Marte que devemos ir.

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Visitar a Estação Espacial Internacional não será para todos os corpos e carteiras NASA

Visitas turísticas à Estação Espacial Internacional vão ser realizadas a partir de 2020, garantiu esta sexta-feira a NASA. O anúncio prevê a abertura do espaço para “novas oportunidades comerciais” e também a pessoas e empresas que queiram apoiar financeiramente a agência espacial norte-americana. A NASA, sublinhou Robyn Gatens,​ directora adjunta da estação, irá permitir a realização de duas missões com “astronautas privados” por ano, com uma “curta” duração de 30 dias cada.

Para o director financeiro da NASA, Jeff DeWit, o plano será cobrar aos “turistas” 35 mil dólares (cerca de 31 mil euros) por cada noite na Estação Espacial Internacional com ar, água, comida e comunicações incluídas. No entanto, isso é só parte do custo, visto que a NASA deverá cobrar cerca de 60 milhões de dólares (mais de 52 milhões de euros) pela viagem de ida à orbita e de regresso à Terra.

Segundo o jornal Washington Post, a SpaceX (que já viajou até à estação em testes com a cápsula Crew Dragon) e a Boeing (que criou o foguetão CST-100 Starliner) serão as “entidades comerciais privadas” contratadas para garantir o conforto da tripulação e também das condições clínicas, formação e treino físico dos tripulantes seleccionados para estas futuras missões para fins comerciais a bordo de um foguetão norte-americano.

O primeiro componente da Estação Espacial Internacional foi lançado em 1998, em parceria com a Rússia, e a estação permanece na órbita desde Novembro de 2000. A BBC relembra que a NASA já chegou a banir qualquer uso comercial da estação e proibiu astronautas de participarem em projectos tendo em vista esse objectivo.

Em 2001, o empresário norte-americano Dennis Tito tornou-se o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, pagando 20 milhões de dólares à Rússia. O jornal The New York Times contabiliza que só houve mais seis “cidadãos privados” a visitar a estação, mas organizado pelas equipas russas responsáveis por uma parte das instalações.

"Vamos à Lua para ficar, em 2024”, mas Trump discorda

A nova iniciativa comercial da NASA vem no seguimento, diz a própria agência, do “objectivo de aterrar a primeira mulher e o próximo homem na Lua até 2024, onde as empresas norte-americanas também desempenharão um papel essencial no estabelecimento de uma presença sustentável”.

“Vamos à Lua para ficar” é o lema da NASA que o Presidente dos Estados Unidos não aprova. No Twitter, Donald Trump disse que, com o dinheiro a ser gasto, a NASA “não devia falar em ir à Lua — já fizemos isso há 50 anos”. “Eles deviam focar-se em coisas muito maiores que estamos a fazer, incluindo Marte (da qual a Lua faz parte) [sic], Defesa e Ciência!”, acrescentou.

A abertura da Estação Espacial Internacional a turistas e empresas marca um novo passo na sua privatização, uma vez que a Administração de Trump pretende ir-lhe cortando o financiamento até 2025.