Mais de um milhão de novas infecções sexualmente transmissíveis por dia, estima OMS

Números devem servir de alerta, avisam especialistas no relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde. É preciso mais prevenção e melhorar as técnicas de recolha de dados para atingir os objectivos para 2030.

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As estimativas são para indivíduos entre os 15 e os 49 anos e têm um intervalo de confiança de 95%. Andre Rodrigues

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, só em 2016, surgiram 376 milhões de novas infecções sexualmente transmissíveis (IST) — cerca de um milhão por dia. Ainda assim, “o número de indivíduos infectados será menor, uma vez que as infecções repetidas ou co-infecções são cada vez mais comuns”, lê-se num relatório produzido por investigadores de vários países e publicado pela OMS na quinta-feira.

Estas estimativas traduzem-se em 127,2 milhões de novos casos de clamídia, 86,9 milhões de infecções por gonorreia, 156 milhões de casos de tricomoníase e 6,3 milhões de casos de sífilis.

A clamídia tem uma prevalência de 3,8% para as mulheres e de 2,7% para os homens. No caso da gonorreia, as estimativas apontam para 0,9% de infecções em mulheres e 0,7% nos homens. A tricomoníase afecta 5,3% das mulheres e 0,6% dos homens. Já a sífilis, tem uma prevalência de 0,5% tanto nas mulheres como nos homens.

“Estamos a assistir a uma falta de progresso preocupante no sentido de parar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis em todo o mundo”, diz em comunicado Peter Salama, director executivo do Universal Health Coverage and Life-Course da OMS. “Isto é um alerta para a necessidade de um esforço conjunto que garanta que todos, em todos os lugares, possam aceder aos serviços de que necessitam para prevenir e tratar estas doenças debilitantes.”

Todas as estimativas são para indivíduos entre os 15 e os 49 anos e têm um intervalo de confiança de 95%.

Os números apresentados para a clamídia, gonorreia e tricomoníase têm por base estudos realizados entre 2009 e 2016 sobre a incidência destas doenças em vários países (incluindo Portugal). Para a sífilis, foi utilizada a base de dados Spectrum STI, um modelo desenvolvido para testar a prevalência de IST em cada país.

Um sinal de alerta

“As estimativas de prevalência e incidência em 2016 são semelhantes às de 2012, globalmente e por região, mostrando que as infecções sexualmente transmissíveis são persistentemente endémicas”, notam os investigadores no relatório publicado pela OMS. E detalham que “os dados de prevalência e incidência desempenham um papel importante na concepção e avaliação de programas e intervenções para IST e na interpretação de mudanças na epidemiologia do VIH”.

A “ameaça global” de alguns casos de infecção por gonorreia que é resistente a todos os antibióticos “mostra a importância de investir na monitorização da prevalência e incidência” destas infecções. Além disso, argumentam, há metas para redução do número de casos de IST até 2030, pelo que, “aumentar a prevenção, fazer mais testes, tratamentos e parcerias [com outras organizações] serão medidas necessárias para atingir esses objectivos”.

É verdade que as estimativas apresentadas no documento têm as “suas limitações”, mas servem como um indicador para a “monitorização dos progressos no sentido de alcançar estes objectivos ambiciosos”.