Surpresas são substantivos exclusivamente femininos

Nas meias-finais de Roland Garros estão quatro tenistas que nunca chegaram ao encontro decisivo de um Grand Slam.

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Reuters/KAI PFAFFENBACH

Os quatro primeiros do ranking masculino estão nas meias-finais do torneio de Roland Garros, o que, parecendo lógico, não acontecia desde 2006. Novak Djokovic e Dominic Thiem confirmaram o favoritismo nos quartos-de-final e cumpriram o segundo objectivo de ganhar em três sets, guardando algumas energias para a segunda meia-final de sexta-feira. A primeira, 12 horas em Portugal, irá opor, pela 39.ª vez, Rafael Nadal a Roger Federer.

“É fantástico ter os quatro melhores nas meias-finais. Torna a competição ainda mais intensa”, explicou o sérvio, após ultrapassar Alexander Zverev (5.º), por 7-5, 6-2 e 6-2. O alemão chegou a dominar o set inicial e serviu a 5-4, e esteve a dois pontos de fechar (30-30), mas não ganhou mais nenhum jogo e entregou a partida com uma dupla-falta.

Zverev acusou o momento e só ganhou um ponto nos três jogos no início do segundo set. Quatro duplas-faltas a 2-5, deram o total controlo do encontro a Djokovic, que terminou com 18 erros não forçados, em contraste com os 40 do adversário.

Nesta sexta-feira, o líder do ranking decide com Dominic Thiem um lugar na final. “Thiem merece estar no top 4, pois o seu nível o justifica, principalmente, na terra batida, onde o seu jogo, a sua potência, o seu serviço e a sua direita são pancadas muito fortes. Se continuar assim, vai estar nas derradeiras fases noutros pisos além da terra”, elogiou o sérvio.

Thiem assinou igualmente uma exibição sólida e também beneficiou dos 37 erros não forçados de Karen Khachanov (11.º), para vencer, por 6-2, 6-4 e 6-2, e qualificar-se pelo quarto ano consecutivo para as meias-finais de Roland Garros.

“É incrivelmente difícil ganhar um Grand Slam, principalmente, para nós, jogadores que ainda não ganharam um, porque, se tudo correr normalmente, temos que vencer campeões de 15 ou mais títulos do Grand Slam. Mas vou entrar no court e tentar tudo e dar tudo; o desafio é enorme”, admitiu o austríaco.

No torneio feminino, a imprevisibilidade continua, com a qualificação para as meias-finais de quatro jogadoras que nunca estiveram numa final do Grand Slam – o que não acontecia desde o Open da Austrália de 1978. Um facto tornado possível nesta quinta-feira, depois das eliminações de Simona Halep e Madison Keys.

Amanda Anisimova (51.ª) já era, desde segunda-feira, a primeira tenista nascida neste século a chegar aos quartos-de-final de um Grand Slam. Agora, é também a mais jovem a discutir um lugar na final de um major desde 2007 – restringindo a representantes dos EUA, há que recuar a 1997 (Venus Williams).

Nada intimidada pelo momento, por defrontar a campeã em título, Halep (3.ª), ou por pisar pela primeira vez o imponente court Philippe Chatrier, a tenista de 17 anos dominou o encontro, que terminou com os parciais de 6-2, 6-4.

“Nem consigo acreditar. Ter a oportunidade de defrontar Simona é espantoso, mas a forma como terminou é de doidos”, confessou Anisimova, autora de uma exibição irrepreensível no set inicial, que estendeu por 37 minutos, até liderar por 6-2, 3-0.

Halep reagiu, de 1-4 para 4-4, mas, depois de salvar um break-point antes do 5-4, Anisimova voltou a impor o seu ténis agressivo, com destaque para a esquerda ao longo e amorties, apoiada numa excelente movimentação.

Ashleigh Barty (8.ª) já esteve nas quatro finais do Grand Slam em pares, mas só depois de tirar um ano sabático, em 2015 – para se dedicar à sua outra paixão, o críquete –, é que a australiana tem mostrado o seu ténis criativo, com variações de ritmo e efeitos, aliadas a uma precisa colocação da bola. Exactamente três anos depois de reaparecer no ranking mundial (no 623.º lugar), Barty derrotou Keys (14.ª), por 6-3, 7-5, e, quatro meses após se estrear nuns quartos-de-final de um major, na Austrália, vai discutir, pela primeira vez, o acesso a uma grande final.

“Foi ao nível do melhor encontro que realizei no mês passado, na terra batida. Apenas me posso recriminar da forma como tentei fechar o encontro da primeira vez. Senti que estive sempre em controlo, fiz as bolas que quis e coloquei-as em sítios difíceis para Maddie”, resumiu a australiana de 23 anos que, na próxima semana, vai integrar o top 5.

Nesta sexta-feira (10 horas), realizam-se, simultaneamente, as meias-finais femininas: no court Suzanne Lenglen, jogam Barty e Anisimova; no court Simonne Mathieu, defrontam-se Johanna Konta (26.ª) e Marketa Vondrousova (38.ª).