Trabalhadores do São Carlos e da CNB mantêm greve

A paralisação afectará as apresentações da ópera La Bohème, cuja estreia está marcada para esta sexta-feira no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.

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oxana ianin

Os trabalhadores do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) e da Companhia Nacional de Bailado (CNB) mantêm as greves que tinham sido anunciadas pelo Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-Ste) e que afectarão as apresentações da ópera La Bohème, cuja estreia está marcada para esta sexta-feira, dia 7 de Junho, com récitas adicionais nos dias 9, 11 e 14 de Junho no São Carlos, em Lisboa. E também o bailado Dom Quixote, entre 11 e 13 de Julho no Teatro Municipal Rivoli, no Porto, e os espectáculos incluídos no Festival ao Largo, que decorre habitualmente em Julho.

Reunidos esta tarde, os trabalhadores decidiram manter as greves pois apesar de haver uma aproximação às posições do conselho de administração do Organismo de Produção Artística (Opart), que gere os dois organismos, não têm ainda o compromisso de que o dinheiro que permitiria a harmonização salarial dos técnicos do TNSC com os da CNB possa ser desbloqueado pelas Finanças, mesmo estando já está previsto no orçamento do Opart. Assim, o plenário deliberou que às 19h desta sexta-feira todos os trabalhadores se irão concentrar à entrada do São Carlos, uma hora antes da apresentação da La Bohème.

Em 2009, e por acordo entre o sindicato e o Opart, os técnicos do TNSC aceitaram um vencimento base equiparado ao dos técnicos com funções similares da CNB, mas proporcionalmente inferior, visto que estes trabalhariam 40 horas semanais e os do TNSC 35 horas semanais. Assim, a redução do horário de trabalho dos técnicos da CNB, em Setembro de 2017, para as 35 horas semanais, vinha impor a resolução da diferença salarial.

Em Março, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou no Parlamento que havia uma solução orçamental para resolver essa diferença salarial. Na altura, explicou que estava previsto orçamentalmente o que era necessário para se chegar a uma solução, em articulação com a secretaria de Estado da Administração e do Emprego Público. Foi também nessa altura que os trabalhadores do TNSC e o Conselho de administração do Opart acordaram que “a harmonização salarial com os funcionários da Companhia Nacional de Bailado” seria processada em Junho, mas tal não aconteceu.