Rio tentou consenso na reforma da justiça e diz que parecia “um ET”

Líder do PSD insiste nos consensos para resolver problemas estruturais.

Rui Rio em almoço-debate no American Club
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Rui Rio em almoço-debate no American Club LUSA/TIAGO PETINGA
Líder do PSD falou sobre reforma da justiça
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Líder do PSD falou sobre reforma da justiça LUSA/TIAGO PETINGA

No diagnóstico do líder do PSD, o país tem “estrangulamentos” estruturais que só podem ser resolvidos com entendimentos políticos mesmo que um só partido conquiste uma “maioria absoluta”. Um exemplo dessa tentativa de Rui Rio foi o que se passou na área da justiça. Mas o próprio diz que o gesto foi visto como se tivesse vindo de “um ET” ou de um político “lá do Norte que não percebe nada disto”.

Num almoço do American Club, que decorreu nesta quarta-feira num hotel em Lisboa, o líder do PSD mostrou-se preocupado com o Governo “mãos largas” em ano eleitoral e voltou a defender que são precisos consensos entre os partidos em torno de determinadas reformas essenciais para o país. É o caso da segurança social e da descentralização. “Nenhum Governo sozinho, mesmo com maioria absoluta, vai conseguir resolver problemas estruturais”, afirmou, perante os convidados, entre os quais se encontravam alguns sociais-democratas.

Na sua intervenção de 45 minutos – após a qual nenhum dos participantes quis fazer perguntas – Rui Rio deu o exemplo da sua tentativa de um acordo sobre a reforma da justiça em que enviou um documento para os partidos e para o Governo, mas que não teve resultados. “Parecia que eu era um ET,  que não sabia o que andava aqui a fazer, vinha lá do Norte”, afirmou, referindo que antecipou “mais ou menos” a resposta dos partidos e que as diferenças não têm a ver com questões de ordem ideológica. 

Como é habitual nas suas intervenções de fundo, Rui Rio traçou o diagnóstico económico do país – endividamento externo antes da troika, crescimentos anémicos depois da entrada no euro – para depois dar a receita. É preciso que o modelo de crescimento seja assente nas exportações (e não no consumo interno), que haja investimento privado, um superavit nas contas externas e uma redução da carga fiscal, que está uma “brutalidade”, defendeu.

Sem nunca se referir às declarações da ex-líder Manuela Ferreira Leite (nem à entrada para o almoço em que não as comentou directamente nem durante o discurso), Rui Rio sustentou que é preciso ter as “contas superavitárias” e de “conciliar” isso com o “crescimento económico e com as exportações”. O presidente do PSD acrescentou que a prioridade, se se conseguirem melhores taxas de crescimento, deve ser “fazer um esforço de redução da carga fiscal”, que já está “no limite”.

Esta manhã, na TSF, Ferreira Leite, que tem mostrado apoio ao líder do PSD, defendeu que o actual défice com os números do crescimento é um “suicídio” e que a política não devia ser procurar os superavits.” 

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