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Quadrienal de Praga é inaugurada esta quarta-feira com projeto Windows de Portugal

O arquitecto e cenógrafo José Capela é o representante oficial português no maior evento mundial dedicado à cenografia, cumpre este ano a 14.ª edição.

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José Capela é um dos fundadores da companhia de teatro Mala Voadora Paulo Pimenta

A Quadrienal de Praga - PQ19, certame internacional dedicado à cenografia e arquitectura teatral, tem esta quarta-feira inauguração oficial na capital da República Checa, onde Portugal estará representado com o projecto Windows, de José Capela.

O certame tem inauguração prevista para as 20h (19h em Lisboa), no Palácio Industrial Vystaviste, em Praga, e a representação portuguesa é inaugurada no dia seguinte, quinta-feira, às 18h (17h30), no mesmo espaço, com a presença da secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira.

O projecto Windows está integrado na secção Countries da quadrienal, ocupando este ano, pela primeira vez, a área central do principal espaço expositivo, considerado o coração do evento desde que foi fundado, em 1967. A 14.ª Quadrienal de Praga, que decorre até 16 de Junho, será dedicada ao tema Imaginação, Transformação, Memória, sob direcção-geral de Pavla Petrová.

Ângela Ferreira disse à agência Lusa, na semana passada, a propósito desta participação na Quadrienal de Praga, que “a presença em eventos internacionais é uma importante estratégia de projecção de Portugal”. Esta estratégia “dá visibilidade ao trabalho dos artistas e criadores nacionais e projecta o país enquanto força criativa e cultural”, acrescentou, na altura.

Questionada sobre a importância da presença portuguesa no certame, Ângela Ferreira apontou que a Quadrienal de Praga “é a mais importante e a mais relevante manifestação internacional da cenografia e arquitectura teatral, símbolo de um exercício de imaginação e de poder transformador do teatro”.

Quanto à escolha do curador José Capela, fundador da companhia de teatro mala voadora, “é também a escolha de um projecto artístico singular e exemplar na transformação da arquitectura em elemento dramatúrgico de pleno direito”.

“É um trabalho representativo de uma diversidade de colaborações artísticas a nível nacional e também internacional”, acrescentou. Questionada sobre o investimento da Direcção-Geral das Artes nesta representação oficial, disse que ascendeu a 99 mil euros.

Segundo um texto do curador português, Windows é uma instalação constituída por um conjunto de contentores espelhados com uma dupla função: “São um pedaço de paisagem que reflecte a paisagem em seu redor, e cada contentor tem uma forma que é deduzida dos mecanismos de visão e/ou representação usados nos cenários que, em miniatura, podem ser vistos no seu interior”.

A presença portuguesa na programação da Quadrienal, além da representação oficial, passa ainda pelo espetáculo Oneby1, de Nuno Pimenta e Ana Renata Polónia, que questiona o conceito de um metro quadrado por pessoa como espaço limite para assegurar conforto individual e segurança no espaço público.

Esta Noite, Morfeu! é outro espectáculo de Portugal incluído no programa, pela companhia de teatro da Sui Generis Associação Cultural, numa encenação colectiva com texto de Tiago Filipe, que explora a plasticidade do corpo e da voz.

Na secção Fragments Gallery Talks, está também prevista a participação da cenógrafa e designer Cristina Reis, com o projeto The English Cat, cenografia que criou em 2000 para a ópera de Hans Werner Henze, numa co-produção do Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa, com o Rivoli - Teatro Municipal do Porto e o Teatro da Cornucópia, em Lisboa, companhia que dirigiu, com Luís Miguel Cintra, e para a qual concebeu a maior parte dos cenários e figurinos dos espectáculos realizados.

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