Segundo a empresa, as saias não podem baixar mais de cinco centímetros do joelho.
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Segundo a empresa, as saias não podem baixar mais de cinco centímetros do joelho. LUSA/FRANCK ROBICHON

Empresa russa dá bónus a empregadas por usarem saia ou vestido

A iniciativa gerou polémica nas redes sociais, mas a empresa diz que o objectivo é que as mulheres possam “sentir a sua feminidade e o seu encanto”.

Uma companhia metalúrgica (Tatprof) da região do Tartaristão, na Rússia, decidiu oferecer às suas funcionárias 1,35 euros por dia se vestissem saias ou vestidos para irem trabalhar. As saias “não devem passar os cinco centímetros abaixo do joelho”, para que sejam recompensadas.

Anastasia Kirillova, responsável pela cultura corporativa da Tatprof, acrescenta que, além disso, é pedido às empregadas que usem maquilhagem discreta, “tudo segundo os cânones tradicionais da beleza feminina”. A ideia surgiu de Serguey Rachkov, conselheiro delegado da metalúrgica, por estar preocupado com “a confusão dos papéis de género” na empresa. A oferta foi pensada para “alegrar” os empregados homens.

A ideia provocou revolta nas redes sociais, mas a empresa não percebe o porquê da polémica. Segundo Anastasia Kirillova revelou à imprensa russa, a empresa “espera que a iniciativa aumente a consciência das mulheres, permitindo-lhes sentir a sua feminilidade e o seu encanto”.

A empresa, que emprega 550 pessoas, das quais 149 são mulheres, explica que, para participar, cada empregada deve enviar uma fotografia para o departamento que pôs em marcha a iniciativa. Para as empregadas das oficinas de produção, que têm que vestir um uniforme, a empresa abriu uma excepção e estas podem enviar uma fotografia de como chegam ao trabalho — e depois mudar de roupa. No final do mês, a firma vai eleger uma empregada como “modelo”.

“Queremos alegrar os nossos dias de trabalho”, explicou Kirillova à rádio Govorit Moskva. “A nossa equipa é composta em cerca de 70% por homens. Este tipo de campanhas ajudam a desconectar, a descansar. É uma excelente maneira de unir a equipa”, assegurou.

A “maratona da feminilidade” começou a 27 de Maio e dura até ao final de Junho. A empresa que foi a principal fornecedora de alumínio para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, e do Campeonato do Mundo de Futebol, em 2018, garante que já participaram 60 mulheres na iniciativa.

“O código de vestuário não proíbe o uso de calças, só atentamos àquelas que preferem uma saia ou um vestido de não mais que cinco centímetros abaixo do joelho. Agora é Verão, por isso a maratona é útil. O bónus, claro, é um incentivo material que decidimos distribuir para quem quiser participar”, defende a empresa num post nas redes sociais. Dentro da ideia há outras iniciativas, como um concurso de velocidade na confecção de almôndegas.

A indignação sobre este caso passou pelas redes sociais, onde muitas pessoas se mostraram contra a iniciativa. Um estudo do Centro de Investigação da Opinião Pública da Rússia revelou que mais de metade da população deste país acredita que é importante lutar pela igualdade de direitos e responsabilidades entre géneros.