O projecto Flying-V, o avião que quer levar os passageiros na asa, levantou voo

A companhia aérea KLM anunciou o seu apoio ao projecto. O aparelho que lembra uma célebre guitarra eléctrica revoluciona o design e pretende usar menos 20% de combustível do que o Airbus A350.

Avião
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DR/TU Delf/Edwin Wallet, Studio OSO

É um projecto já com alguns anos, ideia até de um estudante da Universidade Técnica de Berlim, Justus Benad, que foi depois desenvolvido na Universidade Técnica de Delft na Holanda. Esta semana, recebeu o apoio da companhia aérea holandesa KLM, do grupo da Air France. Eis o Flying-V, preparado para revolucionar a aviação. Para já é apenas um modelo e é possível que sejam precisas duas décadas até entrar ao serviço.

As características visíveis mais marcantes do avião passam, obviamente, pelo design que integra “a cabine de passageiros, carga e tanques de combustível na estrutura da asa", lê-se no resumo do projecto apresentado pela universidade. Pretendendo ser uma “antecipação e apoio ao futuro dos voos de longo-curso sustentáveis”, o avião deve utilizar 20% menos de combustível que o Airbus A350, “o aparelho mais avançado da actualidade”, segundo referiu Roelof Vos, o líder do projecto em Delft. 

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DR/TU Delft

O Airbus 350 é aqui a base de muitas comparações, já que o Flying-V, embora não seja tão longo, tem a mesma envergadura, “o que lhe permite usar as mesmas infra-estruturas nos aeroportos”, refere-se. Deverá conseguir transportar o mesmo número de passageiros (314, em configuração standard) e o mesmo volume de carga.

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Um factor transversal ao projecto é o “menor peso possível” para “maximizar os ganhos de eficiência permitidos pela nova forma do aparelho”. Aproveitando este vector, espere-se uma “nova experiência para o passageiro”. Não só pela localização de lugares na estrutura da asa mas porque o próprio design dos bancos (ou mesmo das casas-de-banho, sublinham) será inovador. Deixam, porém, a garantia de que “o conforto do passageiros será sempre tomado em conta”.

O que pode surpreender é que, apesar de tudo, o combustível ainda seja querosene. “No seu presente projecto ainda voa com querosene, mas pode ser facilmente adaptado para utilizar inovações no sistema de propulsão”, nomeadamente, exemplifica, soluções eléctricas.

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DR/TU Delft

A primeira apresentação pública irá ocorrer no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, em Outubro, integrada nas celebrações dos 100 anos da KLM, altura em que deverá voar um protótipo, segundo o site do projecto lançado pela universidade.

E para quando poderemos esperar voar no Flying-B? Segundo a CNN, é possível que apenas entre 2040 e 2050. 

Quem quiser conhecer ao pormenor o projecto – cujo desenho se inspira numa homónima e icónica guitarra da Gibson – pode voar pelo site de Justus Benad, o jovem estudante, hoje engenheiro, “pai” do Flying-V, apresentado em público pela primeira vez em 2015.