Desastre nas europeias leva à demissão do líder dos Republicanos

Wauquiez renunciou ao cargo no domingo à noite e disse não querer ser “um obstáculo” nas “guerras” que se avizinham. Partido de Sarkozy teve apenas 8% nas eleições para o Parlamento Europeu.

Laurent Wauquiez
Foto
Laurent Wauquiez Reuters/ROBERT PRATTA

O pior resultado eleitoral de sempre do principal partido de centro-direita de França motivou a demissão do seu líder. Laurent Wauquiez anunciou a saída no domingo à noite, depois de Os Republicanos – antiga União por um Movimento Popular – terem sido a quarta força nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, com apenas 8,48% do total de votos.

O partido do ex-Presidente Nicolas Sarkozy falhou o objectivo de, pelo menos, recuperar terreno para as duas grandes forças da actual arena política francesa: a União Nacional, de Marine Le Pen, a República em Marcha, de Emmanuel Macron – os dois primeiros classificados nas europeias. As sondagens davam cerca de 13% aos Republicanos, mas esse valor foi que os Verdes acabaram por conseguir.

Na hora da despedida, Wauquiez assumiu que o resultado eleitoral foi um “fracasso” e que lhe cabia, por isso, “assumir as responsabilidades”.

“A eleição foi um fracasso. Não é fácil dizê-lo, mas devemos reconhecer humildemente que foi um fracasso”, afirmou no domingo à noite ao canal televisivo TF1. “As vitórias são colectivas, as derrotas são solitárias. É assim que as coisas funcionam. E eu assumo as minhas responsabilidades”, continuou.

Líder durante pouco mais de um ano e meio – assumiu a liderança do partido em Dezembro de 2017, na sequência da derrota do candidato François Fillon na primeira volta das presidenciais – Laurent Wauquiez foi incapaz de travar uma convulsão do centro-direita que já vem desde 2012, quando Sarkozy perdeu o Eliseu para François Hollande.

Segundo o líder demissionário, vêm aí novas guerras nos Republicanos, e por isso se justifica a sua saída de cena.

“Durante esta última semana fiz tudo o que podia para me encontrar com todos os que estão de boa-fé. Mas percebi que há um risco de regressarem as guerras pela liderança e os desejos de vingança”, disse Wauquiez. “E eu não quero ser um obstáculo a qualquer preço”.