O treinador é diferente, mas Thiem é o mesmo candidato

Austríaco eliminou Gael Monfils e apurou-se para os quartos-de-final do torneio de Roland Garros.

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LUSA/JULIEN DE ROSA

Além de sonhar com um triunfo do Chile na Taça Davis, Nicolas Massu ambiciona igualmente levar Dominic Thiem ao primeiro lugar do ranking. Será difícil fazê-lo sem conquistar um torneio do Grand Slam e Roland Garros ainda é aquele onde o austríaco tem mais argumentos, como tem provado nos últimos anos e nestes nove dias de prova.

Depois de ultrapassar as três rondas iniciais em quatro sets, esperava-se um teste mais duro para o número quatro mundial diante de Gael Monfils (17.º). Mas Thiem, finalista em 2018 e semifinalista nas duas edições anteriores, esteve à altura das expectativas e dominou o francês que ainda não tinha perdido um set, com os parciais de 6-4, 6-4 e 6-2.

“Foi o meu melhor encontro do torneio. Foi o primeiro onde não tive altos e baixos, fui realmente sólido”, frisou Dominic Thiem, que ainda assinou um ponto brilhante – candidato a melhor do torneio – retirando o mediatismo que Monfils costuma reclamar.

“Dominic tem uma hipótese de ganhar em Roland Garros, um dia. Espero que aconteça este ano”, afirmou Massu, ex-top 10 do ranking mundial, campeão olímpico nos Jogos de Atenas, em 2004, e actual responsável pela selecção da Taça Davis. Em Fevereiro último, o Chile foi à Áustria vencer por 3-2. Thiem não jogou, mas o seu pai foi a Salzburgo convidar Massu para seu treinador. Menos de dois meses depois, Thiem conquistou o primeiro título Masters 1000, em Indian Wells, com uma vitória sobre Roger Federer, na final.

Ao contrário de Gunther Bresnik, que o treinava desde os 10 anos, o chileno é um apaixonado pelo ténis, adora viajar e continua muito competitivo. E consegue transmitir essa paixão e essa energia a Dominic desde as bancadas. “Ele adicionou muitas coisas boas ao meu jogo. E também cresceu na terra batida, que é a minha superfície preferida”, confessou Thiem no mês passado.

Bastante discreto fora dos courts, o austríaco tem estado no meio de uma pequena polémica, envolvendo Serena Williams. Durante a conferência de imprensa de sábado, após derrotar Pablo Cuevas, Thiem ficou agastado quando lhe ordenaram que tinha de interromper e abandonar a sala, para a norte-americana falar com os jornalistas. “É uma brincadeira?”, reagiu. Mais tarde, foi mais incisivo: “Duvido que Rafael ou Roger fizessem isso.”

Thiem vai discutir um lugar nas meias-finais com Karen Khachanov (11.º). No combate de pesos-pesados, o russo de 23 anos derrubou Juan Martin del Potro (8.º), igualmente com 1,98m de altura, por 7-5, 6-3, 3-6 e 6-3, para se estrear nuns quartos do Grand Slam.

Havia igual expectativa por Fabio Fognini, vencedor do Masters 1000 de Monte Carlo, que até se elevou após o primeiro set, mas Alexander Zverev esteve muito consistente e venceu, por 3-6, 6-2, 6-2 e 7-6 (7/5). O alemão, que uma semana antes de Roland Garros, tinha vencido cinco dos 11 encontros realizados em terra batida, assinou a oitava vitória consecutiva de uma série iniciada em Genebra.

Zverev (5.º) ainda tem que provar o seu valor num Grand Slam – o mais cotado adversário que venceu ocupava o 29.º lugar (Damir Dzumhur, em Paris, em 2018) – mas para já iguala o melhor resultado em majors e nos quartos-de-final vai defrontar Novak Djokovic. O líder do ranking passeou a sua classe diante do alemão Jan-Lennard Struff (45.º), a quem se impôs em hora e meia: 6-3, 6-2 e 6-2.

No dia em que comemorou 33 anos, Rafael Nadal ficou a conhecer o adversário de terça-feira. No recomeço do encontro com Kei Nishikori, em que perdia por 1-2 em sets, Benoît Paire fez sonhar os seus compatriotas ao ganhar o quarto set, após salvar dois match-points e liderar o set decisivo por 4-1 e 5-3. Mas o francês não teve capacidade para fechar o encontro e Nishikori foi o mais determinado, concluindo logo que teve nova oportunidade, com os parciais finais de 6-2, 6-7 (8/10), 6-2, 6-7 (8/10) e 7-5.

No torneio feminino, Simona Halep voltou a arrasar, desta vez a polaca de 17 anos, Iga Swiatek (104.ª), por 6-1, 6-0, em 45 minutos. A adversária da detentora do título nos quartos-de-final é igualmente jovem, Amanda Anisimova (51.ª), de 17 anos. Num duelo entre estreantes nos “oitavos” do Grand Slam, a norte-americana eliminou a espanhola Aliona Bolsova (137.ª), por 6-3, 6-0.

No outro “quarto”, defrontam-se Ashleigh Barty (8.ª), a única a atingir esta fase também no Open da Austrália, e Madison Keys (14.ª), oitavo-finalista em seis dos últimos sete majors.