Crónica

O PCP e a avestruz

Gosto de política e não alinho em dizer baboseiras como “os políticos são todos iguais.” Gosto de os ouvir. Gosto de perceber o que dizem e o que já disseram. Gosto de confrontar o discurso com a obra. E é de ir às lágrimas ouvir Assunção Cristas preocupada com os incêndios ou com os inquilinos. Ou Passos Coelho indignado com a carga fiscal.

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Adriano Miranda

Pensei duas vezes antes de escrever esta crónica. Tenho amigos de vários quadrantes políticos e muitos são comunistas. Para cimentar uma boa amizade não é necessário saber a cor política. Nem religiosa nem outra qualquer. Só é necessário existir admiração. E eu admiro muitos comunistas, que na sua vida dão provas de um humanismo fora de série. Outros até deram a própria vida. Também será bom saber, que os partidos tradicionais, um termo muito em voga, não me causam nenhum transtorno. Gosto de saber que o CDS-PP é de extrema-direita e até simpatizante do vizinho VOX e que o BE tem a sua origem no apego a Enver Hoxha, dirigente da Albânia socialista. Que o PSD é tudo menos social-democrata e que o PS meteu o socialismo na gaveta. Gosto mais assim. Saber com o que conto, do que os novos partidos que se dizem sem ideologia, que não são de esquerda nem de direita. Não são carne nem peixe, muito menos alface. São algo que ninguém sabe o que são. E isso é um perigo.