Wawrinka ganhou encontro que Tsitsipas não merecia perder

Após 5h09m no court, o suíço levou a melhor e marcou encontro com o compatriota Roger Federer em Roland Garros.

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LUSA/CAROLINE BLUMBERG

É uma das características do ténis que mais custa a aceitar, mas alguém tem de perder. Mesmo quando, manifestamente, nenhum dos intervenientes o mereça, mesmo quando se “joga melhor”, mesmo quando aquele que dispõe de um maior número de oportunidades acaba por ceder num momento mais importante. Mas os 20 anos de Stefanos Tsitsipas deverão ajudá-lo a colocar em perspectiva a derrota diante do experiente Stan Wawrinka, ao fim de cinco horas de grande ténis, muita entrega física e mental. E será o suíço de 34 anos a avançar para os quartos-de-final, onde já o esperava Roger Federer.

“Ele mereceu ganhar tanto quanto eu. O resultado foi decidido por alguns centímetros”, reconheceu Wawrinka, depois de vencer, por 7-6 (8/6), 5-7, 6-4, 3-6 e 8-6, com um passing shot de esquerda que tocou na parte exterior da linha lateral, o 62.º winner de Stan — mais um que o grego, que acabou com mais um ponto ganho (195 contra 194). A história do duelo de 5h09m, o terceiro mais longo na história do major francês, resume-se aos break-points. Em especial, aos oito de que Tsitsipas dispôs no set decisivo, sem aproveitar um.

“Sinto-me exausto. Nunca experienciei uma coisa assim na vida. Há muito tempo que não chorava após um encontro. Estive tão perto… dei-lhe espaço para ele fazer o que quisesse naqueles break-points. Tantos break-points. Não os joguei, esperei que alguém os jogasse por mim”, afirmou Tsitsipas, destroçado.

Wawrinka vai agora reencontrar o compatriota Federer, sobre o qual se impôs na última visita do compatriota a Roland Garros, em 2015. “Tenho uma má recordação do Stan, que me ganhou em três sets em 2015 com aqueles calções horríveis. Mas ele estava a jogar super bem nesse ano e ganhou o torneio”, brincou Federer, após ultrapassar Leonardo Mayer (68.º), por 6-2, 6-3 e 6-3. 

Expedito foi igualmente Rafael Nadal, que afastou Ignacio Londero (78.º), por 6-2, 6-3 e 6-3. Na terça-feira, Nadal defronta o vencedor do duelo entre Kei Nishikori e o francês Benoît Paire, que recomeçará na segunda-feira, com o japonês a liderar por 2-1 em sets.

No torneio feminino, somente quatro jogadoras do top 20 se mantêm em prova. Mas há uma boa notícia para o ténis checo: depois da desistência de Petra Kvitova, lesionada, e do adeus à competição de Lucie Safarova, uma outra esquerdina despontou e já está nos quartos-de-final. Marketa Vondrousova (38.ª), de 19 anos, derrotou Anastasija Sevastova (12.ª), por 6-2, 6-0, e vai agora defrontar a croata Petra Martic (31.ª).

No outro “quarto”, vão defrontar-se Sloane Stephens (7.ª) e Johanna Konta (26.ª). A campeã do US Open de 2017 venceu a campeã de Roland Garros de 2016, Garbiñe Muguruza (19.ª), por 6-4, 6-3. Konta, que nunca tinha ganhado um encontro em quatro presenças no Grand Slam francês, eliminou Donna Vekic (24.ª), por 6-2, 6-4.