Relatório aponta falhas na manutenção do avião que aterrou de emergência em Beja

Depois de voar descontrolada sobre Lisboa, a aeronave aterrou de emergência no aeroporto de Beja com a ajuda de dois caças F16 da Força Aérea Portuguesa (FAP) em Novembro do ano passado.

,Aeroporto de Beja
Foto
O momento da aterragem do avião Nuno Veiga/Lusa

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) divulgou esta sexta-feira um relatório que aponta falhas e erros na manutenção do avião operado pela companhia aérea cazaque Air Astana que, em Novembro de 2018, voou descontrolado sobre o Tejo, o Ribatejo e o Alto Alentejo, e que acabou por aterrar de emergência no aeroporto de Beja com a ajuda de dois caças F16 da Força Aérea Portuguesa (FAP).

No relatório, publicado no site do GPIAAF, lê-se que “durante a fase inicial e de recolha de dados da investigação, foram examinados em detalhe os controlos de voo da aeronave, tendo sido confirmada a incorrecta instalação do sistema de cabos de comando dos ailerons, em ambas as semiasas”.

O GPIAAF revela ainda que foram identificados “desvios aos procedimentos internos por parte do prestador de serviços de manutenção que levaram a que o erro não fosse detectado nas diversas barreiras de segurança desenhadas pelos reguladores, indústria de manutenção aeronáutica e no próprio sistema implementado no prestador de serviços de manutenção”.

Classificação sofre upgrade de incidente para acidente

Se inicialmente o GPIAAF classificou o sucedido apenas como um “incidente grave”, agora acrescenta no relatório que este passou a ser oficialmente classificado como um “acidente”, após a verificação, durante a análise preliminar do avião, de “danos estruturais importantes nas semiasas, fuselagem e superfícies de controlo de voo”.

Segundo o documento, alguns dos problemas apontados já começaram a ser resolvidos através de um plano de acção desenvolvido pela OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, sendo agora necessária uma mudança de procedimentos também por parte da fabricante Embraer. “Até 30 de Setembro de 2019, [cabe ao fabricante] rever, e alterar conforme seja necessário, as instruções de manutenção dos produtos Embraer 170/190 em toda a documentação de manutenção considerada necessária e relacionada com comandos de voo”, refere o relatório.

A 11 de Novembro de 2018, a aeronave, operada pela Air Astana, descolou da base militar de Alverca, onde tinha estado em manutenção nas oficinas da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal. Estivera a fazer uma inspecção de tipo C, a mais profunda de todas, que implica uma verificação total do aparelho e a desmontagem de várias das suas partes.

A aeronave descolou de Alverca às 13h21 e tinha como destino final a cidade de Alma-Ata, no Cazaquistão, com escala para reabastecer em Minsk, capital da Bielorrússia.

A bordo seguiam seis tripulantes – um comandante e dois co-pilotos e três técnicos do operador.

“Logo após a descolagem, com condições meteorológicas adversas, a tripulação sentiu que a aeronave não estava a responder adequadamente aos comandos. Ainda em contacto com torre de Alverca, declararam emergência enquanto tentavam diagnosticar a causa das atitudes anormais da aeronave”, indica o relatório.

Sem conseguir recuperar o controlo total da aeronave e com fraca visibilidade, a tripulação solicitou aos controladores aéreos de Lisboa autorização para aterrar na água. Porém, o plano de amaragem foi abandonado devido às condições atmosféricas adversas e a aeronave acabou por aterrar de emergência em Beja, à terceira tentativa, com a ajuda de dois caças F16 da Força Aérea Portuguesa (FAP).