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Protestos ambientais nas Filipinas EPA/FRANCIS R. MALASIG
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Protestos ambientais nas Filipinas EPA/ROLEX DELA PENA
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Embarcação M/V Bavaria a abandonar o porto de Manila para devolver o lixo enviado pelo Canadá em 2014 EPA/JUN DUMAGUING

Baaaaaaaaa bye”: Filipinas devolvem toneladas de lixo ilegal ao Canadá

Após uma longa batalha diplomática, o Governo filipino “festejou” o acontecimento. Canadá acredita que um incidente desta natureza não se voltará a repetir.

Após seis anos de negociações, o Governo das Filipinas anunciou esta sexta-feira, 31 de Maio, que vai devolver lixo plástico proveniente do Canadá em 2014. Os resíduos, ilegalmente identificados para reciclagem, estavam misturados com desperdício doméstico e urbano canadiano. No total, esta irregularidade foi detectada em 69 contentores, somando mais de 1500 toneladas de lixo que acabou enviado, por via marítima, de Vancouver para Manila.

Wilma Eisma​, administradora do Porto de Subic Bay (a Norte de Manila) nas Filipinas, explicou ao The Guardian que aquela quantidade de lixo esteve guardada em vários portos filipinos enquanto o Governo canadiano recusou ter responsabilidades. Eisma​ considerou esta batalha diplomática um “capítulo sórdido” da história das Filipinas.

A postura do Canadá em relação a este caso gerou protestos de ambientalistas, como a Greenpeace e a EcoWaste Coalition, levados a cabo até ao momento em que os tribunais filipinos ordenaram a devolução dos resíduos, em 2016. No mesmo ano, refere a BBC, o Governo canadiano promulgou alterações à lei de embarque de resíduos considerados perigosos para o exterior, com o objectivo de não repetir um incidente desta natureza.

Os contentores de lixo seguiram caminho para o Canadá esta sexta-feira, 31 de Março, na embarcação M/V Bavaria, que irá chegar a Vancouver nos próximos 20 dias. O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiro das Filipinas recorreu às redes sociais para “celebrar o acontecimento” e “despedir-se” dos contentores de lixo.

“Baaaaaaaaa bye, como nós dizemos. Estou a chorar. Vou ter saudades. Não faz mal. Outro filipino vai encontrar uma maneira de importar outro lote [de lixo]”, disse Teddy Locsin Jr. numa série de publicações acompanhada de fotografias e vídeos com o barco a partir de Manila.

O secretário parlamentar do Ambiente canadiano disse que a resolução deste caso foi “uma demonstração de que o país vai cumprir com as suas obrigações internacionais para lidar com o desperdício que se gera no Canadá”. Sean Fraser garantiu que o Governo tomou rapidamente a decisão de receber de volta o lixo e pagar todos os custos. “Estamos em contacto contínuo com as Filipinas”, país que “demonstrou ter levado esse assunto como uma séria prioridade”, esclareceu a ministra do Ambiente, Catherine McKenna.

As Filipinas e a Malásia são dois dos países do Sudeste Asiático que têm sido mais afectados pela recepção de lixo dos países ocidentais (além do Canadá, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Austrália e França), algo que se agravou depois de a China ter deixado de importar desperdício plástico em 2018. A importação de lixo de forma ilegal aumentou cerca de 50% e as zonas costeiras destes territórios vão sendo cada vez mais afectadas.

Neste contencioso com o Canadá, o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, chegou a dizer, há um mês, que iria “declarar guerra ao Canadá”, ameaçando largar o lixo em águas canadianas. Há alguns dias, a Malásia anunciou que ia devolver 450 toneladas de resíduos plásticos a vários países, incluindo Austrália, Bangladesh, Canadá, China, Japão, Arábia Saudita e Estados Unidos.

“A Malásia não vai ser a lixeira do mundo”, declarou o ministro da Energia, Ambiente e das Ciências malaio, Yeo Bee Yin. “Não nos deixaremos intimidar pelos países desenvolvidos”, sublinhou.