Vidros partidos e desacatos. Manhã tensa no Barreiro devido à supressão de barcos

A Polícia Marítima foi chamada ao local. Desde o início de Maio que as supressões nos transportes fluviais entre Lisboa e Barreiro têm sido uma constante.

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Estação fluvial do Barreiro Nuno Ferreira Santos
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Passageiros da Soflusa demonstraram o seu descontentamento pela supressão de embarcações ao longo da manhã desta sexta-feira, no terminal fluvial do Barreiro. De acordo com a Polícia Marítima, contactada pelo PÚBLICO, tratou-se da manifestação de um “descontentamento mais notório”, com alguns vidros partidos e exaltação.

De acordo com a TSF, os passageiros tentaram invadir a sala de embarque. Contactada pela mesma rádio, Ana Avoila, líder da Frente Comum que estava no local na altura dos desacatos, conta que desde as 9h40 que não saíam barcos do terminal fluvial do Barreiro, o que terá espoletado esta reacção. “Isto é o serviço público de transportes desde há uns meses”, comentou. “Deve-se à carência de pessoal, à insuficiência de mestres.”

A Polícia Marítima foi chamada ao local, onde chegou por volta das 11h com uma embarcação com quatro membros.

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Nuno Ferreira Santos

Quando chegaram, “o problema já tinha sido em parte resolvido porque os utentes já estavam a fazer o embarque e as coisas estavam mais calmas”, disse fonte da Polícia Marítima ao PÚBLICO. Pelas 12h, o embarque estava a ser feito “com tranquilidade” – apesar disso ainda se encontravam alguns indícios da confusão gerada durante a manhã, com alguns estilhaços de vidro no chão.

A empresa emitiu um alerta, na quinta-feira, a dar conta dos horários suprimidos nesta sexta-feira e sábado. 

Desde o início de Maio que as supressões nos transportes fluviais entre Lisboa e Barreiro têm sido uma constante. A situação agravou-se com a greve em curso dos mestres da Soflusa, que defendem a necessidade de serem contratados mais profissionais. Os mestres estão a fazer uma greve às horas extraordinárias o que, aliado à falta de profissionais, gera as perturbações no serviço de transporte – especialmente nas horas de ponta. A greve deve prolongar-se até ao final do ano.

Na passada sexta-feira, a Comissão de Utentes da Soflusa denunciou que “os constrangimentos laborais na Soflusa têm um nome”: a “falta de, pelo menos, 30 trabalhadores nas áreas de navegação, mestres, maquinistas e marinheiros, na área administrativa e nas áreas comerciais e de apoio ao cliente”. Para a comissão, a situação é de especial gravidade no caso dos mestres que, em 2018, “se viram obrigados a fazer cerca de quatro mil horas extraordinárias”.

“Há pessoal da área da navegação (mestres, maquinistas e marinheiros) à beira da exaustão. Repetimos: os ditos constrangimentos são a não-admissão de pessoal que decorre há vários anos”, sustenta.

A Câmara de Lisboa aprovou na quarta-feira passada uma moção para que o Governo preste esclarecimentos sobre os problemas nas empresas Transtejo e Soflusa, nomeadamente, sobre admissão de pessoal e medidas para minimizar supressões de carreiras. Nesta sexta-feira, o Governo pediu desculpa aos utentes afectados pelas supressões nos transportes públicos urbanos e suburbanos.