Crescimento recorde do investimento impulsionou economia no arranque do ano

Investimento, especialmente na construção e em máquinas, cresceu ao ritmo mais alto desde há pelo menos 23 anos e compensou efeito negativo do aumento mais forte das importações.

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Nelson Garrido

O crescimento do investimento ao ritmo mais forte em pelo menos duas décadas permitiu que a economia portuguesa, apesar do contributo mais negativo das relações com o exterior, tivesse conseguido acelerar ligeiramente durante o primeiro trimestre deste ano.

Os dados das contas nacionais publicados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam a informação publicada no início do mês de ligeira aceleração da economia, de uma taxa de variação homóloga de 1,7% do PIB no quarto trimestre de 2018 para 1,8% no primeiro trimestre deste ano. Portugal conseguiu assim interromper a tendência de abrandamento que se tinha registado durante a segunda metade do ano passado.

A informação adicional publicada agora pelo INE explica o que está por trás desta nova aceleração da economia portuguesa. E o indicador que mais impressiona é o do investimento. O INE revela que, nos primeiros três meses de 2019 o investimento (medido através da Formação Bruta de Capital) disparou para uma taxa de variação face ao mesmo período do ano passado de 17,8%. Este número compara com os 7,4% que se registaram no último trimestre de 2018 e é o valor mais alto de que há registo na série estatística disponibilizada pelo INE desde 1996. Para encontrar valores semelhantes (mas mais baixos) é preciso recuar à segunda metade dos anos 90, um período de forte expansão da economia portuguesa.

A explicar o forte crescimento do investimento neste início de ano está em particular o sector da construção, que passou de um crescimento homólogo de 2,8% no final de 2018 para 12,4% no arranque deste ano e a compra de máquinas e equipamentos cuja taxa de variação homóloga passou de 5,3% para 16,8%.

Em contrapartida, pela negativa, destaca-se a evolução das importações que aceleraram também de forma acentuada, superando largamente o andamento das exportações. As compras de bens e serviços ao estrangeiro passaram de um crescimento de 3,8% para 9,4%, um movimento que estará largamente associado ao próprio crescimento do investimento, que normalmente tem uma componente importada bastante elevada.

As exportações também aceleraram, depois do final de 2018 muito fraco, passando a sua taxa de variação homóloga de 0,6% para 3,4%. Ainda assim, o facto de as importações terem crescido bastante mais do que as exportações fez com que o contributo da procura externa líquida (exportações menos importações) para o crescimento do PIB se tivesse tornado bastante mais negativo.

Feitas as contas, o crescimento de 1,8% registado no primeiro trimestre deste ano é o resultado de um contributo positivo de 4,8 pontos percentuais da procura interna (tinha sido de 3,3 pontos no primeiro trimestre), a que se tem de retirar (com arredondamentos) um contributo negativo de 3,1 pontos da procura externa líquida (tinha sido de 1,6 pontos no primeiro trimestre).