Na hora da saída, Cafôfo acredita ser a mudança que a Madeira precisa

O até agora autarca do Funchal renunciou oficialmente ao mandato para dedicar-se em exclusivo à candidatura à presidência do governo madeirense.

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daniel rocha

Foi o último dia de Paulo Câfofo como presidente da Câmara Municipal do Funchal. O autarca, independente, mas próximo do PS, formalizou esta quinta-feira a renúncia ao mandato para dedicar-se em exclusivo à candidatura à presidência do governo madeirense, nas eleições regionais de 22 de Setembro.

“Este é o momento certo para esta decisão, tomada após uma reflexão pessoal e tendo sempre em conta os interesses do Funchal, a cidade que amo, a cidade que sirvo desde 2013, mas também os interesses da região autónoma da Madeira”, disse Cafôfo numa declaração de despedida que juntou funcionários municipais (foram convidados, por comunicação interna, a estarem presentes), apoiantes e responsáveis do PS local.

Cafôfo, que chegou à autarquia em 2013 à frente de uma coligação de partidos liderada pelo PS e BE, e repetiu a vitória em 2017, com maioria absoluta, é o candidato indicado pelos socialistas para tentar destronar o PSD que governa o arquipélago há 43 anos. “Não posso passar ao lado das palavras e dos apelos que ouço diariamente daquelas pessoas que querem a mudança na região”, justificou o professor de História, que além da renúncia pediu licença sem vencimento na escola onde leccionava. “Livre para ir ao encontro de todas e de todos, para conhecer as suas necessidades, ambições e desejos.”

Uma decisão, insistiu, em resposta às críticas que têm sido ouvidos tanto à direita como à esquerda do PS: “Tomo esta decisão para responder a anseios colectivos, e não a objectivos pessoais”, vincou, mostrando-se “convicto” que será “parte activa e determinante” na mudança política que a Madeira precisa. “Entendo que os madeirenses e porto-santenses merecem mais, merecem melhor.”

O agora antigo autarca do Funchal garante que a autarquia está agora melhor preparada para o futuro, e fica em boas mãos, disse entre abraços a Miguel Gouveia, o antigo número dois promovido agora a presidente.

Na hora da despedida, em que estiveram ausentes os antigos parceiros da coligação que o elegeu – Bloco, JPP, Nós, Cidadãos! e PAN abandonaram a coligação Confiança, quando foi anunciado como candidato socialista ao governo regional – Paulo Cafôfo percorreu o trabalho realizado na câmara municipal, como a redução do IMI, devolução de IRS às famílias, o programa amianto zero para os bairros sociais e os apoios à educação.

“Reduzimos a dívida em 2/3. A mais baixa desde 2000”, disse, apontando a “herança pesada” que recebeu quando chegou à autarquia, numa referência a Miguel Albuquerque, o anterior presidente do município, hoje chefe do executivo madeirense e grande adversário nas eleições de Setembro.

De fora, ficaram referências aos casos mais fracturantes, como a queda de uma árvore na freguesia do Monte, durante uma procissão religiosa, que provocou 13 mortos e meia centena de feridos (há um processo judicial que está em fase de instrução, e Cafôfo pode ir a julgamento pelos crimes de homicídio e ofensas à integridade física), ou às eleições europeias, em que o PS embora tenha conseguido eleger a candidata indicada (Sara Cerdas, foi sexta na lista nacional), ficou a 11 pontos percentuais do PSD. Os social-democratas, venceram mesmo no Funchal, ganhando em todas as freguesias, o que poderá ter contribuído para acelerar o timing da saída de Cafôfo do município.

As eleições europeias, diria depois aos jornalistas, quando terminou a declaração de despedida, têm um contexto diferente e protagonistas diferentes. “Estou convencido que vamos ganhar as eleições. Após 43 anos de poder [do PSD-Madeira], as pessoas estão ávidas de mudança.”