Crítica

Godzilla? Lagarto, lagarto, lagarto

Pobre Godzilla, metido num super-trash-xunga sisudo à americana que desbarata por completa elenco e mitologia num fast food de lugares-comuns de rebolar no chão a rir.

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Aí a meio de Godzilla II, a sempre muito estimável Vera Farmiga explica que os “titãs” agora libertados no mundo moderno, gigantes e monstruosas criaturas oriundas de uma era antediluviana e pré-historiográfica que lançam o caos na humanidade, são a Terra a repor o seu equilíbrio natural, um sistema imunitário a responder contra a “infecção humana” que irá inevitavelmente destruir o planeta. Era já por aí que ia, em 2014, o relançamento de Godzilla, o monstro gigante imaginado no Japão pós-Hiroshima como metáfora do perigo atómico: regressar à mitologia original xintoísta criada nos anos 1950 por Ishiro Honda, integrando uma nota de sisudez pré-apocalíptica inspirada pelo estado do mundo moderno.