Crítica

Arte oculta, música viva: ouvir ajuda (da beleza, do tumulto, da vagina)

O espaço O’Culto da Ajuda continua a auscultar e a dar a ouvir a música deste tempo. Uma homenagem a Clotilde Rosa e mais uma edição do Festival Música Viva reiteraram essa missão.

Teatro musical
Foto
A actriz Catarina Wallenstein juntou-se ao Duo Tágide no espectáculo O Corpo Brasonado, baseado em poemas eróticos DR

O espaço O'culto da Ajuda é um refúgio, o da arte dos sons mais actual e o do melómano que não prescinde de auscultar o seu tempo. Longe dos holofotes mediáticos, o compositor arrisca o pensamento estruturado, os intérpretes ousam dar-lhe voz, os ouvintes trazem-lhes o calor das palmas. Parece um segredo bem guardado, mas a entrada é livre. Aceita-se que numa exposição de artes plásticas se vibre apenas com esta ou aquela obra, que fazem a deslocação valer a pena; por que não assumir que semelhante experiência, de valor potenciado pela alta fasquia artística dos participantes, se encontre num concerto? Decorre neste momento (até 1 de Junho) uma mostra que teimosamente insiste em dar oportunidades de encontro entre a criação musical e o público: o Festival Música Viva. Aqui se dará conta dos seus dois primeiros eventos.