Burnout já está na lista das doenças da Organização Mundial da Saúde

Conhecido como síndrome do esgotamento profissional, o burnout entra numa lista aprovada neste sábado pela OMS.

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A lista onde se inclui esta síndrome entra em vigor em Janeiro de 2022 Miguel Madeira/Arquivo

O burnout – síndrome do esgotamento profissional – já entrou oficialmente na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema associado ao emprego e desemprego. A aprovação da 11.ª revisão desta lista, que também inclui os videojogos como uma doença mental, aconteceu no sábado durante a 72.ª assembleia da OMS em Genebra. 

“Esta é a primeira vez” que o burnout é incluído nesta classificação, referiu Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS, citado pela agência AFP. O burnout não foi só agora introduzido na CID. Na 10.ª revisão da CID – que tem como objectivo padronizar a codificação das doenças e outros problemas relacionados com a saúde – já estava no capítulo chamado “factores que influenciam o estado da saúde ou o contacto com os serviços de saúde”, que inclui razões para contactar os serviços de saúde que não são consideradas doenças, clarificou Alison Brunier, do departamento de comunicação da OMS ao PÚBLICO. 

Agora, o burnout é classificado na 11.ª revisão da CID – que entrará em vigor em 2022 ​–como um dos “problemas associados com o emprego e o desemprego” e tem o código QD85. “A CID-11 foi actualizada para o século XXI e reflecte os avanços críticos na ciência e na medicina”, lê-se num comunicado da OMS. O rascunho da actualização desta lista foi lançado no ano passado depois das recomendações de vários especialistas em saúde de todo o mundo. No comunicado, adianta-se que a CID-11 é completamente electrónica e pode ser incorporada em aplicações electrónicas de saúde e sistemas de informação, “tornando esta ferramenta muito mais acessível”. 

Nesta lista, reconhecem-se os “distúrbios com videojogos” e o comportamento sexual compulsivo como transtornos mentais e muda-se a classificação do transgenderismo dos transtornos mentais, passando-a para o capítulo das “perturbações relacionadas com a saúde sexual”. 

Na lista, o burnout é definido como “uma síndrome que resulta de um stress crónico no local de trabalho que não foi bem gerido”. Também se destaca: “O burnout refere-se especificamente a fenómenos no contexto profissional e não deve ser aplicado para descrever experiências noutras áreas da vida.”

Ao todo, descrevem-se três dimensões desta síndrome: sensações de esgotamento de energia ou exaustão; aumento da distância mental do emprego ou sentimentos de negativismo e de cinismo relativamente ao emprego; e uma reduzida eficácia profissional.