Opinião

Catarina ganhou mais do que Costa

O aumento da abstenção foi trágico e Marcelo Rebelo de Sousa talvez tivesse razão quando sugeriu fazer as eleições europeias e as legislativas no mesmo dia.

O que estas eleições nos dizem? Dizem, por exemplo, que António Costa é um poucochinho mais mobilizador que António José Seguro - cada um chamou às urnas cerca de um milhão de pessoas. Dizem que PSD e CDS somados valem tanto como Passos Coelho e Portas na troika de 2014 - cerca de 900 mil votos. Mas Rio perde mais porque fica a 10 pontos do PS (uma distância enorme, como as sondagens previram) e o CDS perde porque passa para um humilhante quinto lugar (a ‘direitização’ de Nuno Melo de nada lhe valeu).

O grande vencedor é mesmo o BE, que se impõe como terceira força política depois do desaire das últimas europeias. Unido ao PS através da “geringonça”, o partido de Catarina Martins conseguiu duplicar a votação, apesar de a abstenção ter aumentado - passou de 149 para 300 mil votos. O PCP, por seu lado, encolheu para metade (cerca de 200 mil votos). Quer isto dizer que o eleitorado do PCP (aquele de que sempre se disse ser o mais fiel entre todos os partidos) aprecia pouco a geringonça e por isso compareceu menos? Parece que sim.

O que estas eleições mostram também é que temos um sistema imune à extrema-direita (o Basta ficou a menos de 50 mil votos, nem direito a subvenção estatal terá) e que o eleitorado é cada vez mais mobilizado por causas (veja-se o PAN, que pode caminhar alegremente para três ou mais deputados nas legislativas).

Dito isto, o aumento da abstenção foi trágico e Marcelo Rebelo de Sousa talvez tivesse razão quando sugeriu fazer as eleições europeias e as legislativas no mesmo dia.

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