Portugal, o país sem extrema-direita

Em termos de mandatos, só os partidos com assento parlamentar na Assembleia da República foram bem sucedidos.

André Claro Amaral Ventura
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O Basta!, de André Ventura, ficou fora do Parlamento Europeu PÚBLICO

Nem liberais, nem extrema-direita. Os portugueses continuam a privilegiar os partidos mais tradicionais e mais antigos, à excepção do PAN, na hora de ir às urnas. Aliança, Basta!, Iniciativa Liberal, Nós, Cidadãos! e Livre foram as cinco forças políticas que criaram mais expectativas em relação à eleição de eurodeputados — e algumas delas ainda chegaram a aparecer nas sondagens com resultados que lhes permitiriam obter um mandato —, mas essas projecções mais optimistas não se confirmaram nas urnas. Se provocaram algum efeito, foi o da dispersão de votos, sobretudo à direita, penalizando PSD e CDS.

O PDR, de Marinho e Pinto, não só não conseguiu obter nenhum mandato, não permitindo ao até agora eurodeputado prolongar a sua experiência em Bruxelas e em Estrasburgo, como deverá ficar atrás de todos os pequenos partidos já referidos. Também José Inácio Faria, que havia sido eleito na mesma lista que Marinho e Pinto em 2014 (pelo MPT), perdeu agora o lugar.

Há pouco menos de um mês, quando o Vox elegeu 24 deputados em Espanha, fizeram-se as contas aos países europeus que não tinham partidos de extrema-direita no seu parlamento nacional. Portugal era uma das quatro excepções. Em vésperas das eleições europeias, porém, o aparecimento da coligação Basta! (que juntou o Chega de André Ventura ao Partido Popular Monárquico, ao Partido Cidadania e Democracia Cristã e ao movimento Democracia 21) deixou algumas dúvidas sobre se, nas europeias, poderia haver uma surpresa. Não houve.