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Os 30 mil e-mails de Hillary Clinton que viraram arte

O Despar Teatro Italia recebe, até Novembro, a exposição HILLARY: The Hillary Clinton Emails, do artista Kenneth Goldsmith, no âmbito da 58.ª Bienal de Veneza.

O artista e poeta Kenneth Goldsmith imprimiu 30 mil e-mails de Hillary Clinton, divulgados pela WikiLeaks, e transformou-os em arte. O norte-americano volta assim a dar que falar com a exposição HILLARY: The Hillary Clinton Emails, exposição com curadoria da dupla Francesco Urbano Ragazzil, que pode ser visitada até Novembro no Despar Teatro Italia, no âmbito da 58.ª edição da Bienal de Veneza

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Em 2009 surgiram os primeiros rumores: Hillary Clinton estaria a usar um servidor privado para enviar e-mails enquanto Secretária de Estado. Considerados por muitos como um dos elementos essenciais à vitória de Donald Trump, que em 2016 usou a informação para atacar a rival, os e-mails foram a principal inspiração de Kenneth Goldsmith. O artista quis com a impressão destes documentos tornar tangível o que está — supostamente — bem escondido na Internet.

Para Goldsmith, os e-mails de Hillary Clinton são o maior poema do século XXI, disse numa publicação no Facebook. “São obras textuais épicas, mais excitantes e intelectualmente interessantes do que qualquer coisa que algum autor possa sonhar em escrever”, afirmou, em entrevista à revista iD. 

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Impressos em duplicado, os e-mails estão expostos no segundo andar do Despar Teatro Italia. O artista dividiu as 60 mil páginas em dois conjuntos. O primeiro — uma pilha de folhas soltas — foi colocado em cima de uma réplica da mesa presidencial da Sala Oval. O segundo, exibido na biblioteca, foi encadernado em volumes. A exposição é também acompanhada de um livro, onde Goldsmith apresenta os seus e-mails favoritos.

Com isto, o artista também quer também recordar a função original do Despar Teatro Italia. Aquele que hoje é um supermercado era antes um cinema. Obras do UbuWebsite que Kenneth Goldsmith fundou em 1996 — vão ser exibidas na grande tela que ainda existe no local.

Não é a primeira vez que o artista, conhecido pela sua veia provocadora, traz o digital para o papel. Em 2013, Goldsmith quis — literalmente — imprimir toda a Internet. O resultado? Dez toneladas de páginas da Internet na exposição Printing Out The Internet. Um ano depois, em 2014, Kenneth Goldsmith apresenta Printing out JSTOR: A Tribute to Aaron Swartz, um trabalho de 33 gigabytes de dados em papel — tantos quanto o activista Aaron Swartz, que se suicidou em 2013, descarregou do arquivo digital JSTOR, acto que lhe valeu um processo judicial que o podia levar a 30 anos de prisão.