Sporting e FC Porto no Jamor, em busca do sorriso perdido

“Leões” e “dragões” entram em campo com 16 Taças de Portugal no museu. Será a quinta final da competição entre ambos e a segunda do calendário nesta época.

Bruno Fernandes e Otávio no último jogo entre as duas equipas.
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Bruno Fernandes e Otávio no último jogo entre as duas equipas. LUSA/JOSE COELHO

Jamor. 17h15. Sinal aberto (RTP). Sol. Uns amenos 25 graus. Dois “grandes” em campo. Duas equipas sedentas de títulos. Parecem estar reunidas as condições ideais para uma bela festa de futebol, no Estádio do Jamor, neste sábado, para a final da Taça de Portugal. Sporting e FC Porto entram em campo com 16 Taças de Portugal no museu, pelo que está em jogo, também, o estatuto de “vice-rei do Jamor”, a seguir ao Benfica (26 títulos).

“Leões” e “dragões” estão sedentos de conquistas e, sobretudo, querem partir “em busca do sorriso perdido” durante a época. Nada melhor para o fazerem do que conquistarem a “taça do povo”, na festa suprema do futebol português.

Em Oeiras, o Sporting entra mais tranquilo. Já conquistou a Taça da Liga, Marcel Keizer parece firme no lugar de treinador e o estatuto teórico de “underdog” para esta final – até pelas ausências na equipa – dar-lhe-á a possibilidade de não ter “a casa a arder”, em caso de derrota.

Por outro lado, o FC Porto entra sobre brasas. A perda do título foi dura e, depois da derrota com os “leões” na final da Taça da Liga, o próprio treinador, Sérgio Conceição, pode estar em plena fase de legitimação de estatuto. E que bem calharia esta conquista para fechar a época...

Para o FC Porto há, ainda, uma motivação adicional: prevê-se “debandada” no Verão, pelo que nomes como Militão, Herrera, Felipe, Brahimi ou Maxi Pereira poderão fazer, no Jamor, o último jogo pelos “dragões”. Para Herrera, um dos líderes da equipa, seria uma saída não pela “porta grande” – essa seria a do campeonato conquistado –, mas, pelo menos, por uma “porta intermédia” já bastante positiva.

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"Verdes” querem penáltis, “azuis” nem por isso

O último jogo entre as duas equipas, na última jornada da I Liga, no Dragão, não deve servir de barómetro. Ao contrário do habitual, o clássico foi muito aberto, como muito espaço para transições, algo que, numa final – e com uma taça em jogo –, parece improvável.

Até pelo registo histórico, é crível que ambas as equipas sejam prudentes na abordagem ao jogo e, em última análise, não enjeitem levar a decisão para prolongamento e/ou penáltis.

Neste cenário, duas lógicas poderão ser aplicadas. Por um lado, o FC Porto quererá fazer valer a “lei dos grandes números”, que diz, em traços gerais, que quanto mais tentativas se realizam, maior probabilidade de o resultado se aproximar do equilíbrio. Os “dragões” querem-no, porque perderam os últimos seis desempates por pontapés da marca de penálti, sendo que, contra o Sporting, perderam os derradeiros três (meias-finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, em 2018, e final da Taça da Liga, já em 2019).

Por outro lado, se perguntarem a sportinguistas se “assinariam” já uma decisão por penáltis, possivelmente a maioria até responderia que sim. Os “leões” somam, ao contrário do FC Porto, seis vitórias consecutivas em decisões dos 11 metros, com destaque para duas Taças da Liga conquistadas (2018 e 2019) com vitórias nas meias-finais e finais, sempre nos penáltis.

Neste sábado, o Sporting terá de ser feliz sem Ristovski e Borja, castigados, o que obrigará Marcel Keizer a mudar nas duas laterais. Pela esquerda “leonina” poderá estar o “ouro”, já que o FC Porto canaliza, segundo as estatísticas, 40% dos ataques pelo seu corredor direito. Para compensar, o Sporting terá, certamente, o melhor marcador da prova, Bruno Fernandes, com seis golos em seis jogos.

Já Sérgio Conceição tem a equipa quase na máxima força, não podendo contar com Casillas e Aboubakar. Há curiosidade para ver o que o técnico faz com Adrián López que, apesar da parca utilização, é o melhor marcador portista na prova (quatro golos).

Há ingredientes para uma bela final entre Sporting e FC Porto – a quinta na Taça de Portugal, depois de duas vitórias para cada lado.