Nelson Garrido
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Nelson Garrido

Greve pelo clima teve “pouco” impacto nas escolas

Houve quem tivesse ido fazer teste antes de participar na manifestação pelo clima. Apenas duas escolas de Lisboa dizem ter notado ausências de alunos em grande número.

Os jovens estiveram nas ruas de várias cidades do país, nesta sexta-feira, 24 de Maio, em luta por respostas políticas em relação ao estado de emergência climática. Mas, nas escolas, poucos foram os que sentiram a sua mobilização. Apenas duas escolas de Lisboa dizem ter tido faltas “massivas” de alunos por causa do protesto.

O calendário do protesto não terá ajudado à adesão – como, de resto, já antecipavam os directores durante esta semana. Com o ano lectivo na sua recta final, avaliações marcadas e os alunos do 11.º e 12.º anos com exames nacionais dentro de poucas semanas, o “enfoque” da maioria dos estudantes estará sobretudo na escola, entende Júlio Santos, director do agrupamento de escolas do Restelo, em Lisboa.

“Não é o melhor tempo para mobilizações nesse sentido”, acrescenta o mesmo responsável. Na escola da zona oeste da capital “não houve notícia” de que tenha havido alunos a faltar às aulas por causa da participação na manifestação na praça do Marquês de Pombal.

Foi também o que aconteceu na Secundária Clara de Resende, uma das maiores do Porto. “Desta vez, não vimos grandes movimentações em torno da manifestação, ao contrário do que tinha acontecido há dois meses”, afirma Ana Alves, adjunta da direcção. “Um ou outro aluno poderá ter faltado”, admite, por seu turno, Adélia Fonseca, da direcção da Secundária Rodrigues de Freitas, também no Porto. “Mas não houve uma adesão massiva” ao protesto desta sexta-feira, garante.

Entre as várias escolas contactadas pelo P3, apenas duas — ambas em Lisboa — tiveram grupos grandes de alunos a participar na manifestação desta manhã. Na Secundária de Camões, “cerca de metade” dos estudantes não foram às aulas. “Houve um grupo grande que foi da escola para o protesto”, conta o director do histórico liceu, João Jaime. As aulas “continuaram a funcionar normalmente, de uma forma geral”.

Também na Secundária de Alvalade “houve muitos alunos que foram” à manifestação, segundo a directora, Dulce Chagas. Ainda que não saiba estimar o número de alunos, a dirigente diz ter sido notória a sua “organização”, saindo do estabelecimento de ensino para o Marquês de Pombal.

Muitos deles, no entanto, foram à escola às primeira horas da manhã “fazer testes que já estavam marcados”, antes de participar no protesto, assegura. A manhã na Secundária de Alvalade decorreu, de resto, “de forma calma e tranquila”.