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“Emergência climática já”, gritaram os jovens. Ministro do Ambiente recebido por protesto em Coimbra

“Por onde é que passamos?”, perguntou o ministro, deparando-se com os manifestantes, a maioria jovens, deitados no chão, a impedir a entrada

O ministro do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, foi esta sexta-feira recebido em Coimbra por um protesto de cerca de uma dúzia de pessoas, a maioria jovens, que apelaram ao combate às alterações climáticas.

Antes de entrar no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra para participar num congresso, José Pedro Matos Fernandes tinha à sua espera cerca de uma dúzia de pessoas que se deitaram no chão, à entrada, segurando também cartazes onde podia ler: “O ar que respiras é mais valioso que o petróleo que extrais” e “A hora do planeta são todas as horas”.

“Por onde é que passamos?”, perguntou o ministro, deparando-se com os manifestantes, a maioria jovens, deitados no chão, a impedir a entrada. Confrontado pelos jornalistas, o ministro afirmou que “esta é a mais justa das lutas” e “das causas”. O ministro vincou que as alterações climáticas não podem ser vistas apenas como uma questão das gerações futuras, mas como “uma questão desta geração e sobretudo é uma questão que esta geração tem que resolver certamente a pensar nas gerações futuras, mas também a pensar nesta geração”.

Pouco depois de conseguir entrar no Auditório da Reitoria, ouviram-se algumas pessoas a gritar “Emergência climática” e “Emergência climática já”. João Pedro Matos Fernandes salientou que Portugal foi “o primeiro país do mundo que afirmou que ia ser neutro em carbono em 2050” e um dos países com as “políticas mais avançadas” nesta área.

Aquando do seu discurso no 2.º Congresso “Adaptação às Alterações Climáticas da Região de Coimbra”, o membro do Governo voltou a frisar a ideia de que Portugal é dos países mais comprometidos pelo combate às alterações climáticas. Chamou ainda a atenção que alguns dos países que declararam emergência climática “são certamente aqueles que têm má consciência”. País com “mais ambição que Portugal tem [nesta área] não conheço no mundo”, frisou.

Milhares de pessoas saíram à rua hoje em mais de cem países e quase meia centena de localidades em Portugal no âmbito da greve climática estudantil. A greve é inspirada na sueca Greta Thunberg, 16 anos, que no ano passado iniciou um boicote às aulas para exigir do parlamento da Suécia acções urgentes para travar as alterações climáticos, um protesto que rapidamente se replicou por todo o mundo.