Harvey Weinstein chega a acordo de 44 milhões de dólares para evitar julgamento

O produtor, o seu irmão e a empresa que geriam, a Weinstein Company, conseguem assim pôr fim a vários processos judiciais de que eram alvo em Nova Iorque. O dinheiro será distribuído entre as alegadas vítimas de Weinstein e credores e antigos trabalhadores e executivos da produtora de cinema.

O acordo não engloba um outro processo, no qual Weinstein é acusado por duas mulheres de violação
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O acordo não abrange um outro processo, no qual Weinstein é acusado por duas mulheres de violação JASON SZENES/LUSA

Harvey Weinstein, o produtor de Hollywood caído em desgraça após a revelação de um comportamento sexual abusivo que terá mantido durante décadas, e cuja denúncia desencadeou o movimento MeToo, terá firmado um acordo de 44 milhões de dólares (cerca de 40 milhões de euros) para pôr fim a várias acções judiciais de que era alvo em Nova Iorque. O acordo não abrangerá o processo criminal que também enfrenta, interposto por duas mulheres que o acusam de violação.

A notícia foi avançada pelo Wall Street Journal, ao qual fontes próximas do processo asseguraram que o acordo alcançado inclui o pagamento de 14 milhões de dólares (12,5 milhões de euros) para cobrir as despesas judiciais de executivos da Weinstein Company acusados de encobrirem os alegados crimes de Harvey Weinstein. O valor restante será distribuído por alegadas vítimas do produtor, credores e antigos trabalhadores da produtora de cinema.

“Penso que isto é positivo para as vítimas envolvidas e que as ajudará a evitar o trauma e o stress de uma litigância completa”, afirmou à CNN Aaron Filler, advogado da actriz Paz de la Huerta, que acusa Harvey Weinstein de a ter violado em sua casa, em duas ocasiões diferentes, em 2010. “É uma medida justa”, considerou.

As acusações a Harvey Weinstein resultaram de uma acção judicial interposta pelo gabinete do Procurador-Geral da cidade. Nela se alegava que Harvey Weinstein e o seu irmão, Bob, bem como a Weinstein Company, enquanto empresa, cometeram “violações flagrantes dos direitos civis, direitos humanos e leis empresariais de Nova Iorque”.

Em 2018, a Weinstein Company, que entrara em processo de falência após a revelação do escândalo, foi vendida a uma empresa gestora de capital de risco, a Lantern Capital, de Dallas. O valor definido no acordo agora alcançado e que aguarda ainda aprovação – a decisão do juiz responsável será conhecida após uma audição marcada para 4 de Junho – será pago por seguradoras.

Mais tarde, a 9 de Setembro, terá início o julgamento do caso de violação de que Harvey Weinstein é acusado por duas das mais de 80 mulheres que denunciaram o seu alegado comportamento predatório e abusivo. O produtor, que aguarda o início do julgamento em liberdade – entregou-se às autoridades em Maio de 2018 e foi libertado após o pagamento de uma fiança de um milhão de dólares (cerca de 890 mil euros) –, reconheceu ter tido ao longo dos anos comportamentos incorrectos na sua relação com mulheres e anunciou mesmo que iria recorrer à ajuda de terapeutas. Nega, porém, todas as acusações de violação.