Operadores britânicos suspendem novo telemóvel Huawei. Em Portugal não há mudanças

Corte de relações comerciais com o Google lançou dúvidas sobre a capacidade da empresa chinesa para manter o funcionamento e actualização dos seus aparelhos.

As sanções americanas estão suspensas por três meses
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As sanções americanas estão suspensas por três meses Reuters/Jason Lee

Dois grandes operadores de telecomunicações no Reino Unido, a EE e a Vodafone, decidiram suspender o lançamento de telemóveis 5G da Huawei, por estarem preocupados com a capacidade da empresa para assegurar o funcionamento e actualização dos telemóveis na sequência das restrições impostas pelos EUA.

A decisão é a primeira do género tornada pública na Europa. Surgiu após o Google ter anunciado que, para cumprir as sanções americanas, deixará de fornecer o sistema Android (que a empresa chinesa poderá continuar a usar, mas sem apoio da multinacional americana), bem como os seus serviços, entre os quais a loja de aplicações, o Google Maps e a aplicação do Gmail.

Em Portugal, onde a Huawei é a líder no mercado de smartphones, os operadores não mostraram intenção de tomar uma decisão semelhante.

Contactada pelo PÚBLICO, a Vodafone Portugal afirmou que “está a acompanhar de perto a evolução do tema, não estando prevista, à data, qualquer alteração à actual oferta”.

Já a Altice, dona da Meo, lembrou que a empresa “está em contacto com a Huawei há cerca de dez anos como parceira tecnológica”, desde os tempos da PT, e que pretende “manter o seu compromisso de colaboração com a Huawei em Portugal”.

A Nos não quis comentar.

Nesta quarta-feira, a EE (um operador do grupo BT, um dos mais importantes grupos de telecomunicações britânicos) suspendeu o lançamento do modelo da Huawei que iria acompanhar, na próxima semana, a estreia da rede 5G da empresa.

“Até termos mais informação e confiança que nos dê segurança a longo prazo de que os nossos clientes, quando compram estes dispositivos, vão ter apoio durante o período em que mantêm o dispositivo connosco, vamos pôr esses dispositivos em pausa”, explicou o responsável pelas marcas de consumo da BT, Marc Allera, numa conferência de imprensa.

O modelo em causa é o Huawei Mate 20 X 5G. A empresa, porém, continuará a usar equipamento da Huawei nas suas infra-estruturas, incluindo nas redes 5G, e a vender outros telemóveis da marca.

A Vodafone no Reino Unido tomou uma decisão semelhante, optando por suspender as pré-encomendas do mesmo modelo. “Esta é uma decisão temporária, enquanto existir incerteza sobre os novos dispositivos 5G da Huawei”, disse a operadora, citada pela imprensa britânica.

Também no Japão houve operadores que decidiram esta semana cancelar o lançamento de telemóveis 5G da fabricante chinesa.

As notícias são um revés para a Huawei, que tem pela frente a tarefa de convencer operadores e consumidores de que conseguirá continuar a ter produtos de sucesso, mesmo sem a parceria com o Google e outras empresas americanas.

A Huawei poderá continuar a usar o sistema operativo Android – cujo desenvolvimento é encabeçado pelo Google, mas que é de uso livre – ou criar um sistema próprio, algo que a empresa já disse ser uma possibilidade.

A ausência da loja de aplicações do Google – de longe, a mais popular entre utilizadores de Android – também é um problema. A Huawei poderá tentar criar uma alternativa, adaptando a loja de aplicações que já tem e que é vocacionada sobretudo para o mercado chinês. Contudo, aplicações consideradas essenciais por muitos utilizadores fora da China – como o Facebook e o WhatsApp – ficariam provavelmente de fora dessa loja.

A empresa chinesa tem agora alguns meses para adoptar uma estratégia. O corte de relações comerciais com o Google não se aplica aos modelos já vendidos, nem àqueles que ainda estão em stock. Nestes casos, os utilizadores poderão continuar a usar a loja de aplicações e os serviços do Google.

Além disso, os EUA decidiram suspender durante 90 dias, até 19 de Agosto, as sanções à Huawei, para dar tempo aos operadores americanos de se adaptarem: os telemóveis Huawei já não são vendidos nos EUA, mas as empresas de telecomunicações têm equipamento da marca chinesa nas suas infra-estruturas.