Por uma Europa feminista ou de acolhimento: sociedade civil apela ao voto nas Europeias

Nas últimas semanas antes do dia das eleições, o Serviço Jesuíta de Refugidos, a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres e Plataforma Portuguesa Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento apelaram, nas redes sociais, ao voto consciente.

Crise dos migrantes europeus
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A crise dos refugiados é um dos temas incontornáveis das Eleições Europeias Reuters/ALKIS KONSTANTINIDIS

Além das plataformas criadas pelo Parlamento Europeu para convencer os cidadãos da importância das Eleições Europeias, há vários apelos provenientes da Sociedade Civil para que as pessoas não falhem na ida às urnas no próximo domingo, 26 de Maio.

O Serviço Jesuíta de Refugiados (SJR), em colaboração com a SJR Europa, desenvolveu uma campanha de sensibilização com o lema “o teu voto tem poder”. Segundo o SJR, a campanha é dirigida a jovens entre os 18 e 35 anos e tem o objectivo de apelar ao voto consciente “em matéria de acolhimento e integração de migrantes e refugiados”.

No vídeo publicado no YouTube e nas redes sociais são partilhadas filmagens de uma operação de resgate de refugiados no mar Mediterrâneo – no ano passado, 2262 refugiados morreram na travessia enquanto tentavam chegar à Europa, de acordo com os números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). “Não fiques aí parado. O teu voto tem o poder de resgatar famílias”, defende a mensagem no vídeo, acompanhado da hashtag (etiqueta) #OTeuVotoTemPoder. 

A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, associação sem fins lucrativos, representa Portugal no Lobby Europeu de Mulheres. “Vamos votar por uma Europa Feminista” é o apelo da Plataforma e o mote da campanha “50/50 Mulheres para a Europa – Europa para as Mulheres”, que organizou debates sobre os direitos das mulheres nas eleições europeias em Portugal. Na última sexta-feira, no Espaço Cultural de Santa Catarina, em Lisboa, discutiu-se o que os candidatos e candidatas defendiam na área dos Direitos Humanos das mulheres na Europa.

Nas redes sociais, está a ser partilhado um vídeo que contou com a participação de várias mulheres – como, por exemplo, Ana Sofia Fernandes, membro da PpDM, que representa em Portugal o Lobby Europeu das Mulheres, Ilidiacolina Vera Cruz, presidente da Mén Non, Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe em Portugal, ou Olga Mariano, presidente da Letras Nómadas – Associação de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas – que apelam a um voto com consciência feminista. “É imprescindível votar enquanto mulheres”, defende-se no vídeo. “É preciso que não se esqueçam que quando os partidos de extrema-direita e os partidos populistas chegam ao poder, as primeiras medidas são sempre contra as mulheres”.

A Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD), que exige maior justiça nas áreas da Educação e da Ajuda Humanitária de Emergência, está a apelar, no Twitter, por um voto que defenda que “todas as pessoas possam usufruir dos seus plenos direitos ao bem-estar e à igualdade”. “Livres de pobreza e da exploração, e em que os limites do planeta são respeitados”, acrescenta a Plataforma no Twitter.

Noutro tweet, acompanhado por uma ilustração, a Plataforma defende que as organizações da Sociedade Civil têm estado “sob pressão na Europa e no resto do mundo”. “A EU precisa de ouvir e de proteger o espaço da sociedade civil. Pelo direito de todos/as à participação e pela justiça global”.

No próximo dia 26 de Maio, os portugueses votam nas eleições europeias, que irão eleger os portugueses que vão representar o país no Parlamento Europeu, o único órgão da União Europeia que resulta de eleições directas. É representado por 751 deputados dos 28 Estados-membros da União Europeia. Portugal elege 21 deputados.

As discussões que acontecem no Parlamento Europeu têm depois impacto no combate ao desemprego jovem, na garantia de privacidade, na protecção do ambiente e até em chamadas telefónicas mais baratas com contratos mais claros. É também o Parlamento que, juntamente com o Conselho, aprova o orçamento anual da União Europeia.