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Turistas participam em safari para ver os elefantes REUTERS
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Carcaça de elefante encontrada em 2018 junto a um santuário animal REUTERS

Botswana volta a autorizar caça ao elefante

Fim da proibição acontece após queixas das populações rurais relativamente ao elevado número de elefantes. Mas também numa altura em que o preço do marfim dispara no mercado negro.

O Botswana, país com a maior população de elefantes do mundo, suspendeu a proibição da caça ao maior mamífero do globo, justificando a decisão com o elevado número de espécimes e a destruição de campos agrícolas.

A proibição tinha sido decretada em 2014 pelo então Presidente Ian Khama, mas desde essa altura que o Partido Democrático do Botswana (BDP) pressionava o Governo a voltar atrás na decisão, argumentando que a população de elefantes tem-se tornado “incontrolável” em algumas zonas, prejudicando mesmo a subsistência das populações agrícolas.

Devido à escassez de água e à consequente escassez de vegetação e alimento, as rotas migratórias dos elefantes alteraram-se, o que fez com que o animal procurasse zonas habitadas onde tem vindo a destruir plantações e a consumir colheitas.

O actual Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, que sucedeu a Khama em Março de 2018, tinha pedido dados sobre o problema e esta decisão era esperada. 

Segundo um comunicado do Ministério do Ambiente citado pelo The Guardian, o Botswana justifica o fim da proibição da caça ao animal com o “número crescente do mamífero e os conflitos entre humanos e elefantes”, bem como o “impacto destes na agricultura”.

“O consenso geral daqueles que foram consultados foi que a proibição da caça deveria ser suspensa, mas de uma forma ordeira e ética”, lê-se no comunicado divulgado pelo jornal britânico

Existem pelo menos 130 mil elefantes no país, um número que se mantém estável há aproximadamente 15 anos, sendo que a maioria dos animais circulam em reservas naturais ou em zonas inabitadas do país. No entanto, este cenário é uma excepção no continente africano. O último grande censo de elefantes, feito em 2015, indicava a perda de um terço da população continental.

Até a este levantamento da proibição, o número de elefantes em território botswano estava em crescimento, com o país a apostar em colocar-se como um destino de safáris de luxo.

Se até recentemente o Botswana era considerado um refúgio para a espécie, o cenário tem vindo a alterar-se, e o problema da caça furtiva já se fazia sentir. Em Setembro do último ano foram encontrados 90 elefantes mortos, junto a uma reserva natural, num incidente que se pensa estar relacionado com o fenómeno do tráfico de marfim, matéria cujo preço tem disparado no mercado negro internacional.