Cartas ao director

Porque vou votar nas europeias

Debateu-se recentemente a possibilidade alargar a fronteira do direito de voto para os cidadãos com 16 anos. Uma larga maioria de deputados da Assembleia da República rejeitou a proposta e mantém-se tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Decerto que a maturidade dos eleitores foi argumento tido em conta nesta questão mas, pensando um bocadinho, percebemos que a maturidade não é automática. O chip da maturidade não é activado no preciso momento em que completamos a 18.ª Primavera.

Muitos dos que têm direito a voto cultivam o hábito da abstenção, ainda mais quando se trata de eleições europeias. Os argumentos que alguns eleitores maduros apresentam para justificar a sua abstenção são dos mais variados: que a Europa é lá longe, que os políticos são todos iguais, que não fazem nada, que só estão interessados em auferir os ordenados escandalosos (pornográficos), que nós, eleitores, somos uma espécie de idiotas que servem apenas para caucionar a existência dessa “corja de mamões” inúteis que vão aquecer os cadeirões do Parlamento em Bruxelas. Sinceramente, discordo da maior parte destes argumentos e, quando me deparo com discursos deste calibre, atrevo-me a imaginar que o direito a voto poderia ser oferecido todos os cidadãos que soubessem ler e escrever, independentemente da idade, e a partir dos 18 anos, para todos mesmo, incluindo os analfabetos.

Eu vou votar nas eleições europeias do próximo domingo porque ainda acredito no Valor da Democracia.

Rui Silvares, Cova da Piedade

Pois eu voto sempre!

A carta do leitor António Cândido Miguéis (já a segunda!) que vem hoje (22/5) no PÚBLICO deixou-me, no mínimo, imensamente triste. Com ele e com o jornal. Se ela(s) não são um apelo à abstenção, então como se faz isso? As razões que aduz (e são publicadas) podem fazer todo o sentido para o seu autor, mas parecem-me uma inferência do particular para o geral totalmente abusiva, embora o autor as considere como suficientemente justificativas para a sua escrita (quanto ganham os deputados europeus). Aliás usando a metáfora da “cera mole” para “insultar” o povo que não passará de uma “massa ignara” como lhe chama “carinhosamente” um comunista da nossa praça e o escreveu noutro local. Todos sabemos que a acção cidadã ultrapassa, em muito, o voto, mas a verdade é que é este último que todos temos à mão para dizer o que queremos. E isto não pode ser desperdiçado e muito menos... maltratado pela negligência em não o utilizar. Termino: tem toda razão caro António C. Miguéis quanto ao ordenado dos eurodeputados mas, por favor, não se abstenha! Ao PÚBLICO peço: usem a minha carta como apelo ao voto, em contraponto ao ponto de vista do meu companheiro de escrita! Eu “cá por mim” voto... sempre!

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

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