Greve da Soflusa suprime ligações fluviais nas horas de ponta (e não só)

Quinta e sexta-feira serão dias de perturbações no serviço fluvial da Soflusa: a greve dos mestres, que pedem que sejam contratados mais profissionais, suprimirá grande parte das ligações entre o Barreiro e Lisboa. As negociações foram reabertas, mas a greve continua e a câmara reforçou os restantes transportes públicos.

Terminal fluvial do Barreiro
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Terminal fluvial do Barreiro Ricardo Lopes

A greve dos mestres da Soflusa afectará nesta quinta e sexta-feira as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa: nestes dois dias, serão apenas asseguradas as ligações entre as 00h05 e a 1h30, às 5h05, entre as 9h30 e as 17h45 e, mais tarde, entre as 22h e as 23h30 (no sentido Barreiro-Terreiro do Paço); no sentido inverso, haverá ligações entre as 00h e as 2h, as 5h30, entre as 10h e as 18h e entre as 21h55 e as 23h30.

Como é possível ver no site da Soflusa, grande parte das ligações estão suprimidas durante a hora de ponta desta quinta-feira.

Mas haverá mais interrupções: a Soflusa refere no site que, “adicionalmente à greve anunciada”, serão ainda suprimidas as ligações fluviais das 14h55, 15h35, 16h20, 16h30, 17h10, 17h20 (no sentido Barreiro-Terreiro do Paço) e as carreiras das 15h20, 16h, 16h45, 16h55, 17h35 e 17h45 (no sentido Terreiro do Paço-Barreiro).

A Soflusa explica que, durante os períodos de interrupção de serviço, os terminais fluviais estarão fechados (“por motivos de segurança”) e que as ligações das 5h05 e das 5h30 correspondem aos serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social.

Para “minimizar o impacto destas perturbações”, a Soflusa aconselha os passageiros a utilizar o título de transporte nas ligações fluviais do Seixal, Montijo e Cacilhas ou a utilizar a carreira nº6 dos TCB (Transportes Colectivos do Barreiro), cujo serviço foi reforçado pela Câmara do Barreiro das 6h15 às 9h e das 18h20 às 20h51.

Em comunicado, a Câmara do Barreiro explica que decidiu aumentar as ligações rodoviárias dos transportes públicos à estação ferroviária “devido à redução de oferta de transporte fluvial anunciada pela Soflusa, através do aumento das ligações com a estação ferroviária de Coina”.

Qual a razão da greve dos mestres?

Os mestres da Soflusa, que defendem a necessidade de serem contratados mais profissionais, vão realizar uma greve parcial, de três horas por turno, o que gera as perturbações no serviço de transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa.

O presidente da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa (PS), já se reuniu com a administração da Soflusa, considerando a actual situação “inadmissível” para a população, acusando a empresa de “não estar a acompanhar o investimento que a autarquia está a realizar para facilitar a mobilidade não só no concelho, como em toda a Área Metropolitana de Lisboa”.

Na quinta-feira entra também em vigor o pré-aviso de greve dos mestres às horas extraordinárias, que pode prolongar-se até ao fim do ano. A 10 de Maio, as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa começaram a ser suprimidas pela falta de mestres, o que levou a empresa a anunciar, quatro dias depois, não conseguir prever quando iria repor o serviço.

O Governo também disse estar expectante em relação à suspensão da greve dos mestres da Soflusa após ter chegado a um acordo com os sindicatos representativos dos trabalhadores.

“A expectativa é que, estando esgotadas as razões da greve, até ao fim do dia possamos ter uma notícia de suspensão da greve”, afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, em declarações à agência Lusa, depois de uma reunião de última hora com sindicatos dos trabalhadores da Soflusa, no Terminal Fluvial do Cais do Sodré, em Lisboa.

De acordo com o governante, a suspensão da greve não ficou já decidida, porque “compete aos trabalhadores”, ou seja, “é preciso consultar os mestres” da Soflusa.

Relativamente à contratação de pessoal, o governante deixou a promessa de “reforçar os recursos humanos na Soflusa, portanto na área marítima, de forma a contratar até seis novos recursos”, a que acrescem os quatro contratados recentemente e que deram origem à abertura de um concurso interno para quatro mestres para os navios que asseguram o transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa.

Negociações reabertas

Mais tarde, a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans) anunciou na quarta-feira que serão reabertas as negociações na empresa Soflusa, referindo ainda assim que não foi decidida a suspensão da greve. “Estivemos hoje presentes numa reunião e foram assumidos compromissos para reabrir negociações em aspectos que têm causado contestação na empresa”, disse à Lusa José Manuel Oliveira, da Fectrans.

O sindicalista explicou que não ficou decidida na reunião a suspensão da greve na quinta e sexta-feira, referindo que essa é uma decisão que cabe ao Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e Marinha Mercante, que marcou o protesto.

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