Avon, Natura e Body Shop passam a ser um só grupo

Brasileiros da Natura, que já têm a Body Shop e a Aesop, acordaram comprar a marca de produtos por catálogo, criando “o quarto maior grupo exclusivo de beleza no mundo”, cujas vendas ascendem a nove mil milhões de euros

Produtos Avon
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Reuters/Brendan McDermid

O grupo de cosmética brasileiro Natura SA anunciou ontem ter chegado a acordo para a compra da britânica Avon Products (desde 2016 separada do negócio norte-americano), criando uma companhia com “6,3 milhões de representantes e consultoras da Avon e da Natura” e presença geográfica global, com 3,2 mil lojas” em todo o mundo – incluindo Portugal.

Ao juntar-se este activo às marcas Body Shop e Aesop, que a Natura comprou em 2017 e 2013, está criado um grupo com uma “facturação bruta anual de 10 mil milhões de dólares [8,96 mil milhões de euros ao câmbio actual]” com “40 mil colaboradores e presença em 100 países”, garante a gestão do grupo brasileiro no comunicado disponibilizado no site oficial.

A operação, que vinha sendo negociada nos últimos três meses, foi anunciada ontem publicamente e deverá estar concluída no inicio do próximo ano, uma vez aprovada pelos accionistas das duas companhias e obtidos os necessários avales das autoridades da concorrência dos vários países onde a actividade das duas marcas de venda por catálogo operam, como é o caso de Portugal, mercado onde a Body Shop também está presente com lojas físicas.

O negócio implica a criação de uma nova holding, com sede no Brasil e igualmente cotada, designada Natura Holding SA. Os accionistas da Avon recebem por cada título que detêm da empresa uma média de 0,300 títulos na nova companhia, o que no total lhes garante 24% na nova Natura Holding. Os restantes 76% serão controlados pela Natura SA.

Os termos do acordo, diz a Natura em comunicado, representam um prémio de 28% para os accionistas da Avon face ao preço do fecho de 21 de Março, há três meses, dia imediatamente anterior a serem oficialmente reconhecidas as negociações entre as duas partes.

“Com base nos preços” do fecho da bolsa a 21 de Maio – Avon e Natura são cotadas em Nova Iorque e São Paulo, respectivamente -, garante a gestão na Natura no comunicado ontem emitido, “a transacção avalia o enterprise value da Avon em US$ 3,7 bilhões [3,7 mil milhões de dólares ou 3,3 mil milhões de euros ao câmbio actual], e o grupo combinado em aproximadamente US$ 11 bilhões [9,85 mil milhões de euros]”.

O grupo brasileiro “espera que a combinação desses negócios resulte em sinergias estimadas entre US$ 150 milhões [134 milhões de euros] e US$ 250 milhões [224 milhões de euros] anuais que serão parcialmente reinvestidos para aumentar ainda mais sua presença nos canais digitais e mídias sociais, em pesquisa e desenvolvimento, iniciativas de marca e expansão da presença geográfica do grupo”.

A nova companhia terá um conselho de administração com 13 elementos, dos quais três serão atribuídos à Avon.

Ontem, na bolsa de São Paulo, e após o anuncio do negócio, as acções da Natura encerraram a ganhar 9,43% (para 61,5 reais), recuando agora mais de 5%. Os títulos da britânica Avon Products, em Nova Iorque, seguiam a ganhar 5,3% (3,6 dólares)

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