Contra terminal no Montijo, João Ferreira defende novo aeroporto de Lisboa em Alcochete

A pretexto do novo aeroporto de Lisboa, o candidato da CDU acusa Governo de “agradar à União Europeia” escolhendo uma solução mais barata e cujo investimento não pese tanto nas contas do défice.

João Ferreira
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João Ferreira desfilou numa das avenidas da Baixa da Banheira, distribuiu panfletos e falou com os comerciantes e moradores. LUSA/ANDRÉ KOSTERS

Já se gastou muito tempo e muito dinheiro em estudos sobre qual a melhor localização, entre várias, para o novo aeroporto de Lisboa. E se já se tem uma decisão fundamentada em estudos técnicos que aponta para Alcochete, então é aí que ele deve ser construído. Essa é a posição do cabeça de lista da CDU às europeias, que está contra a decisão do Governo de António Costa de construir um terminal no Montijo, aproveitando parte da base aérea que ali existe, a jusante da ponte Vasco da Gama, mesmo à beira do Tejo.

João Ferreira, numa arruada numa das principais ruas da Baixa da Banheira ao fim da manhã desta quarta-feira, salientou que a decisão do Montijo é contra a vontade das populações desta região ribeirinha, que inclui os municípios de Alcochete, Montijo e Moita. O candidato argumentou que o Governo anterior, de PSD e CDS, decidiu entregar a exploração da empresa - que “dava lucros todos os anos ao Estado"- que geria o aeroporto à multinacional francesa Vinci, e o executivo de António Costa quis “fazer um favor” a essa multinacional e “pôs de lado o trabalho e o dinheiro que o país gastou” a estudar o novo aeroporto, decidindo-se pelo Montijo.

Para “fazer o favor” à Vinci e “para agradar à União Europeia” que prefere uma solução mais barata e cujo investimento não pese tanto nas contas do défice, acrescentou João Ferreira. Porém, essa “não é uma solução de futuro” e serve apenas para “atamancar” o assunto. Porque não resolve o problema fundamental que é a necessidade de um verdadeiramente novo aeroporto para Lisboa.

O comunista afirmou que este é o único aeroporto dentro da malha urbana de uma capital europeia e recordou os malefícios para a saúde das populações - seja pela poluição atmosférica seja pelo ruído - e para a sua segurança, já que a cidade é actualmente sobrevoada, dia e noite, “minuto sim, minuto não por aviões”. No Montijo também existem esses problemas de poluição, há as espécies ameaçadas no estuário do Tejo e os problemas de segurança com as aves que ali vivem, a que se soma o facto de não se afastarem os aviões da proximidade da cidade.

“O país não pode fazer de conta que não perdeu anos e muitos recursos, muito dinheiro a estudar qual a melhor localização. Fê-lo, chegou a uma conclusão. Ela tem de ser concretizada. Não há justificação nenhuma para que isso não aconteça, a não ser o favor que o Governo do PS está a querer fazer a uma multinacional que agora controla os aeroportos internacionais”, apontou João Ferreira.

Questionado pelos jornalistas sobre o relatório que aponta que as rendas da energia portuguesas são das mais altas da Europa, João Ferreira fez questão de vincar que a culpa é dos Governos anteriores do PS, PSD e CDS que, “seguindo recomendações, orientações e directivas da União Europeia, decidiram entregar empresas públicas estratégicas nas mãos de multinacionais”. Para o Estado acabou por ficar o prejuízo de perder os lucros que elas facturavam - e que facturam à custa das famílias e das empresas nacionais -, e foi mero espectador do desmantelamento dessas empresas. 

O candidato fez questão de realçar o papel do PCP na redução do IVA da electricidade de 23% para 6%, embora isso tenha acontecido apenas no aluguer do contador de mais baixa potência, quando o partido defende que também se devia fazer essa redução na taxação do consumo. Porém, até a medida da redução do IVA no contador demora a ser aplicada porque o Governo “decidiu submetê-la à aprovação da Comissão Europeia”. Ora, esta é uma medida prevista no Orçamento do Estado deste ano por isso, as famílias “deviam agora ser ressarcidas do prejuízo” pelo atraso na concretização da medida.