Avarias nos comboios explicam supressões na linha de Sintra

Pelo menos 117 comboios foram suprimidos na linha de Sintra desde 8 de Maio.

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dro daniel rocha

Os comboios da CP na linha de Sintra começam a ter os mesmos problemas que a envelhecida frota de material diesel. Sucedem-se as avarias e a empresa vê-se obrigada a suprimir circulações por não ter material de reserva.

Desde o dia 8 de Maio já foram suprimidos, pelo menos, 117 comboios na linha de Sintra. A empresa diz que “estas supressões têm origem no excesso de imobilizações e avarias no parque de material circulante”.

Excesso de imobilizações significa que há mais comboios em oficina do que deveriam. Neste momento a empresa tem três UQE (Unidades Quádruplas Eléctricas) paradas no Entroncamento para serem alvo de manutenção e qualquer avaria noutra composição provoca alterações ao serviço que levam às supressões.

Como a EMEF não tem pessoal suficiente (apesar das contratações recentes de 102 trabalhadores), os comboios tardam em sair das oficinas e continuam e fazer falta para assegurar as rotações.

A transportadora pública reconhece que não pode fazer muito mais. Fonte oficial da empresa diz que “as medidas possíveis, no momento actual, já foram tomadas” e que “a CP e a EMEF desenvolveram esforços para, no mais breve espaço de tempo possível, repor os níveis de disponibilidade deste material”.

No entanto, após o envio desta resposta escrita, foram suprimidos nesta terça-feira mais quatro comboios na linha de Sintra.

Ao contrário das oficinas de Oeiras, que trabalham durante a noite para assegurar a manutenção da frota da linha de Cascais, as oficinas de Campolide só estão abertas durante o dia. A CP diz que “o eventual reforço de actividade em Campolide não é viável neste momento, essencialmente pela insuficiência de recursos humanos”. Só as oficinas de Algueirão trabalham por turnos.

A empresa diz ainda que aguarda autorização do governo para contratar mais trabalhadores para a EMEF.

“Na linha de Sintra circulam diariamente mais de 400 comboios por dia útil”, recorda a mesma fonte oficial da CP. Em 2019, até finais de Abril, os níveis de regularidade no mais importante eixo ferroviário suburbano do país eram de 98,3%, traduzindo até uma melhoria face a igual período em 2018, que tinha sido de 96%. Mas o mês de Maio veio diminuir esse índice.

No resto do país, a CP debate-se também com “excesso de imobilizações” noutras linhas. A situação mais dramática tem-se vivido no Algarve onde as supressões têm sido praticamente diárias e os atrasos uma constante.

Mas no Oeste também tem havido supressões (quatro comboios suprimidos entre Lisboa e Caldas da Rainha nos últimos dois dias) para além de atrasos que, por vezes, são superiores a uma hora.

No Norte, entre Caíde e Marco de Canavezes foram suprimidos cinco comboios desde segunda-feira.