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Banco em dificuldades pode criar conflito entre Itália e BCE

A dificuldade em encontrar investidores privados para o banco italiano Carige gera desentendimentos em relação a qual deve ser o “plano B” a adoptar.

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Reuters/Alessandro Bianchi

Depois dos desentendimentos em torno do valor do défice deste ano, um novo conflito entre o Governo italiano e autoridades europeias pode estar prestes a ter início.

Desta vez, o problema está na forma como se irá lidar com o Carige, um banco de dimensão relativamente reduzida da região da Ligúria, que tem tido dificuldades em encontrar investidores disponíveis para reforçar o seu capital.

De acordo com a agência Reuters, o entendimento do Banco Central Europeu (BCE), no seu papel de supervisor do sistema bancário, é o de que, caso não seja possível encontrar um comprador para o Carige, aquilo que há a fazer é avançar para a liquidação do banco. Citando fontes não identificadas do banco central, a Reuters diz que em Frankfurt o Carige não é visto com as características apropriadas a uma intervenção preventiva do Estado italiano, através de uma injecção de capital. E o BCE também não acredita na viabilidade do Carige como banco isolado. Por isso, ou a instituição faz parte de um processo de consolidação do sector, com a entrada de um investidor privado, ou o melhor será proceder à liquidação.

Do lado do Governo de Roma, que tem sido muito crítico em relação à forma como, no passado recente, foram geridos os casos de dificuldades no sector bancário, a ideia é a de que, se não houver um investidor privado disponível, o Estado deve intervir com uma injecção de capital próxima dos 1000 milhões de euros.

O supervisor bancário tem o poder para bloquear uma injecção de capital por parte do Estado, algo que poderia ser novo motivo de conflito entre as autoridades europeias e o executivo italiano.

O Carige tem, nos últimos anos, visto os seus problemas com o crédito malparado agravarem-se e o seu principal accionista votou em 2018 contra a possibilidade de um aumento de capital, o que levou o BCE a nomear uma administração temporária, cujo principal objectivo é encontrar potenciais compradores para o banco.

Em resposta oficial à Reuters, o BCE garantiu que “continua a confiar que os administradores temporários vão manter os esforços de encontrar uma solução privada”.

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