Prémio Camões será entregue em Lisboa a Chico Buarque

Cerimónia ainda não tem data definida. Escritor ainda não confirmou a sua presença.

Chico Buarque
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Chico Buarque encontra-se neste momento em Paris, onde soube da notícia

Não se sabe ainda quando, mas é para Lisboa, provavelmente ainda este ano, que está prevista a cerimónia de entrega do Prémio Camões a Chico Buarque, o mais importante do universo da língua portuguesa, atribuído por um júri que se reuniu na terça-feira na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

O compositor e escritor Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como Chico Buarque, sucedeu ao cabo-verdiano Germano Almeida e é o 13.º autor brasileiro a receber a distinção, entre nomes como Jorge Amado ou João Cabral de Melo Neto.

Segundo o gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca, “a cerimónia será acordada entre os dois países para que a entrega decorra ainda este ano, mas ainda não há data”. Como é hábito, acrescenta o gabinete, quando a reunião decorre no Brasil, a entrega é em Portugal, e vice-versa. O jornal brasileiro O Globo escreve na edição desta quarta-feira que a entrega poderá ser em Setembro.

Contactada pelo PÚBLICO nesta quarta-feira de manhã, Clara Capitão, a actual editora de Chico Buarque em Portugal, não tinha ainda a confirmação da vinda do escritor a Lisboa para a cerimónia de entrega do prémio. Porém, o escritor terá indicado ao seu editor brasileiro, Luiz Schwarcz, a intenção de vir a Portugal receber o prémio.

Chico Buarque, que está em Paris, onde tem por hábito passar o seu aniversário, que é a 19 de Junho, dia em que faz 75 anos, fez apenas uma declaração sobre a atribuição do prémio através de uma breve nota divulgada pelo seu assessor de comunicação, Mário Canivello. “Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, referindo-se ao mais recente brasileiro a ganhar o prémio em 2016.

“Estamos em festa, pá”

Na sua conta oficial no Twitter, o primeiro-ministro expressou a sua “alegria” pelo prémio atribuído a Chico Buarque. “Poeta de sambas e canções que sabemos de cor, romancista que reserva à linguagem a sua maior atenção, saiba que estamos em festa, pá”, escreveu António Costa, lembrando Tanto mar, uma das suas canções mais conhecidas, escrita a propósito do 25 de Abril.

Na sua página do Facebook, Graça Fonseca deu os “parabéns” a Chico Buarque e destacou o facto de o prémio ter sido atribuído pela primeira vez “a um autor que tem na música a sua principal obra e que desde sempre se afirmou como escritor de relevo, seja na dimensão poética e musical das suas letras, seja na ficção ou na dramaturgia”. Porque, acrescentou, “as letras das músicas são, também, grandes poemas”. 

Também Marcelo Rebelo de Sousa felicitou esta quarta-feira Chico Buarque, numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, lembrando a atribuição do Nobel da Literatura em 2016 ao músico Bob Dylan. “Premiar ‘letristas’ pode ser sujeito a discussão, mas premiar Chico Buarque só pode ser unânime, porque, tal como Bob Dylan para a língua inglesa, as canções de Chico traduzem um profundo conhecimento da tradição poética e um alargamento das fronteiras da linguagem musicada, trazendo um grau de sofisticação inédito à música que se diz, e bem, popular.”

O Presidente defendeu também que a obra de Chico Buarque tem conquistado o respeito de várias gerações do mundo lusófono, “nomeadamente pelos seus empáticos retratos femininos, pela afinidade com os bons malandros, pelo empenhamento político, pelo amor ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelo trabalho sobre uma língua que, atravessando tanto mar, nos une”.