“Humildade” e “honestidade”, a receita de Pedro Nuno contra os populismos

Socialistas carregam no acelerador contra a direita. Ana Catarina Mendes lembrou Passos Coelho: “É o PSD de sempre”, o que foi “orgulhosamente além da troika”.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

O dia foi de ataque directo a PSD e CDS em várias frentes e com vários protagonistas, de Pedro Nuno Santos a Ana Catarina Mendes. Os dirigentes socialistas foram a Aveiro afinar a mira do candidato socialista, Pedro Marques, que não errou no alvo. “É para mim muito evidente que entre nós e esta direita europeia, representada em Portugal no PSD e CDS, há uma distância que nos separa do tamanho do mar Mediterrâneo: onde nós temos solidariedade, eles têm uma visão securitária”, disse o candidato no discurso da noite desta terça-feira, em Aveiro.

Mas antes dele tinha subido ao palco Pedro Nuno Santos que foi defender que é com uma solução como a que foi encontrada em Portugal que se conseguem combater os populismos na Europa. Num discurso bastante ideológico – e que tem feito com frequência –, o agora ministro das Infra-estruturas e Habitação pediu “humildade, honestidade e respeito por este povo e por todos os povos europeus”, porque só assim e possível combater o crescimento da extrema-direita. “Não reivindicamos o voto no PS pelo que fizemos, nós queremos por aquilo que nos propomos fazer em Portugal e na Europa”.

O socialista, que jogava em casa e por isso teve direito à maior ovação da noite apelou ao partido que, nesta altura, não basta a indignação. “Temos de ter a honestidade de perceber as razões que levam tantos trabalhadores, operários a votarem agora na extrema-direita. Este povos europeus não passaram a ser racistas ou xenófobos, muito do movimento socialista europeu deixou de os representar, de falar para eles, de perceber os seus anseios, são cada vez mais os povos que marcam passo, sem crescimento económico com impacto nas suas vidas”. É por isso preciso, defendeu, fazer diferente.

E a diferença nesse projecto, alegou, mora no PS, mas sem que se aproxime do centro, porque isso, recordou, fez desaparecer os socialistas na Europa. “Durante os anos do Governo anterior, este batia-se com os portugueses para que aceitassem as imposições das instituições europeias, hoje temos um Governo que faz o contrario e bate-se nas instituições europeias para poder cumprir aquilo com que se comprometeu com o povo português”, defendeu. Ou, em resumo: “Tivemos um Governo que, em vez de se bater com os portugueses, bateu-se com a Europa”.

A batalha na Europa é dura e é contra “quem quer impor uma resposta liberal, que não diminui o populismo, aumenta a insegurança o medo que são o alimento do populismo”.

Como tem sido costume, o cabeça de lista socialista aproveita algumas deixas lançadas pelos oradores anteriores para cimentar parte do seu discurso. Foi o que Pedro Marques voltou a fazer atacando directamente Paulo Rangel que considerou “romântica” a ideia do novo contrato social para a Europa. “Quem considera que não se passa nada, que não é preciso voltar à Europa dos direitos sociais não percebe nada do que se está a passar na Europa”, disse.

Lembrando que Pedro Nuno Santos tinha referido que era preciso voltar a ouvir os trabalhadores, o candidato referiu: “Os cidadãos exigem que voltemos a governar para as pessoas”. Tal como tinha feito de manhã em Lisboa, Pedro Marques marcou as principais diferenças para a direita que “não diz nada sobre a reforma da zona euro”, “não diz nada sobre o pilar dos direitos sociais”, nem “nada sobre esta forma de governar”.

A ajudar ao ataque cerrado à direita, entrou em campo também a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, que usou a entrada de Pedro Passos Coelho na campanha do social-democrata para criticar a candidatura de Paulo Rangel. “Todos nos lembramos de Pedro Passos Coelho, orgulhosamente, ir além da troika e com isso roubar esperança, direitos, confiança aos nossos portugueses. É por isso que este é o PSD de sempre, o PSD que tem como ideal cortar, empobrecer, privatizar, mas que não tem a ambição de um projecto social, nem, para Portugal nem para a Europa”.