Opinião

BCP: Direito à manifestação pública e à indignação

O sucesso do BCP não pode encontrar respaldo na precariedade dos seus trabalhadores.

No próximo dia 22 de Maio está agendada a Assembleia Anual Geral de Accionistas do BCP.

Os anos de crise já terminaram. O BCP já regressou aos lucros e à distribuição de dividendos. 

Mas o sucesso do BCP não pode encontrar respaldo na precariedade dos seus trabalhadores, com cortes e ausência de actualização da tabela salarial, sob pena de se contribuir para o agravamento do clima de tensão social.

É comum ouvir o descontentamento e o desalento dos trabalhadores ainda que de forma anónima por receio de represálias.

Quando a liberdade de expressão começa a ser cerceada no seio do BCP, a tendência cai no autoritarismo e na censura, e por vezes, entre os próprios trabalhadores. 

Por esse motivo é fundamental recuperar e garantir a liberdade e direitos do colectivo. Colectivo que é esta equipa de cerca de 7100 trabalhadores no activo.

Se o contributo da actividade bancária em Portugal corresponde a 61% do total do grupo no primeiro trimestre de 2019, porque é que os trabalhadores não são reconhecidos? Até aqui a justificação dada pela Exma. Administração era a crise e a falta de resultados, embora em anterior AG tenha sido aprovado o reforço do fundo de pensões, através de pagamento extraordinário para pensões de administradores executivos.

De toda a banca portuguesa, incluindo os bancos que foram intervencionados pelo fundo de resolução, o BCP foi o único a fazer cortes salariais aos trabalhadores e estagnou a evolução da tabela salarial desde 2010. Todos os restantes trabalhadores da banca tiveram revisão da tabela salarial ao longo da última década.

O relatório trimestral assume a redução significativa do stock de activos problemáticos e melhoria da rendibilidade doméstica. Portanto são os trabalhadores portugueses do BCP que também contribuíram para este resultado.

Mas se houve um corte salarial porque não acontece a sua devolução? Por que razão decidiu chamar “compensação” à devolução dos valores retidos?

No próximo dia 22 de Maio vai decorrer manifestação à porta da Assembleia Geral (AG) de Accionistas, onde os trabalhadores poderão demonstrar a sua indignação, quanto ao impasse nas negociações, devolução dos valores retidos, negociação da tabela salarial para trabalhadores no activo, reformados e pensionistas.

Os trabalhadores do BCP exigem a devolução na íntegra dos valores retidos entre 2014 e 2017 e a revisão da tabela salarial desde 2018. É notória a perda do poder de compra, face à estagnação da tabela salarial por um lado e ao efeito da inflação por outro, ao longo da última década.