Império de Jamie Oliver entra em insolvência e ameaça 1000 postos de trabalho

A consultora KPMG foi chamada para gerir os destinos do grupo, muito fragilizado financeiramente. Estão em risco mais de 1000 empregos. O famoso chef já reagiu: “Estou profundamente entristecido por este desfecho.”

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O conjunto de restaurantes do chef britânico Jamie Oliver entrou em insolvência, deixando cerca de 1000 empregos em risco, avança o jornal britânico The Guardian, que revela nesta terça-feira que a consultora KPMG foi nomeada para gerir o processo de protecção dos credores, uma figura prevista no código de insolvências britânico. 

Uma fonte próxima do negócio disse à agência Reuters que esta situação põe em risco 1300 postos de trabalho nos 25 estabelecimentos operados pela empresa do popular chef no Reino Unido. Segundo a Bloomberg, são 1000 pessoas que ficam sem trabalho em consequência dos 22 restaurantes que já fecharam portas; os outros três (que empregam 300 pessoas) continuarão, para já, em funcionamento. Estão localizados no aeroporto de Gatwick e o objectivo da consultora KPMG é encontrar alternativas de exploração para estes estabelecimentos.

Este processo não afectará o restaurante de Jamie Oliver em Portugal, que abriu portas em Lisboa no início do ano passado. “São operações e estruturas distintas [nos dois países]”, adianta ao PÚBLICO a responsável de marketing do restaurante Jamie’s Italian, Helena Farinha. Um comunicado enviado ao PÚBLICO ao início da tarde esclarece que “a operação internacional não é afectada por esta tomada de decisão, uma vez que tem conhecido um percurso inverso [àquele vivido na indústria da restauração britânica] – de elevado desempenho, crescimento e robustez, prosseguindo com normalidade o seu desenvolvimento”; e Lisboa segue esta tendência, lê-se. Segundo o The Guardian e a BBC, os restaurantes fora do Reino Unido não são afectados por este processo, por serem operados em regime de franchising (tal como o restaurante Fifteen, no condado britânico da Cornualha).

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O restaurante Jamie's Italian, em Lisboa NUNO FERREIRA SANTOS

“Estou profundamente entristecido por este desfecho e gostaria de agradecer a toda a equipa e fornecedores que se dedicaram de corpo e alma a este negócio durante mais de uma década”, afirmou o chef Jamie Oliver numa publicação feita no Twitter. O grupo que detém os restaurantes tinha já anunciado dificuldades financeiras, com prejuízos a acumular-se de ano para ano e com uma injecção repentina de 13 milhões de libras (cerca de 14,8 milhões de euros) provenientes dos fundos pessoais de Jamie Oliver, em 2018, para salvar o negócio da bancarrota. Nos últimos meses, o grupo procurava potenciais compradores.

“Quero também agradecer aos clientes que usufruíram e apoiaram este negócio na última década. Tem sido um verdadeiro prazer servir-vos”, acrescentou, explicando que o primeiro restaurante Jamie’s Italian foi lançado em 2008 para causar uma “ruptura positiva” na indústria da restauração britânica. “E conseguimos isso mesmo.” Além da cadeia Italian, o grupo detém ainda os restaurantes Barbecoa, Diner e Fifteen (o primeiro do seu império, aberto em Londres em 2002).

O funcionário Alin Ciocan, de 28 anos, estava prestes a começar o seu turno no Jamie’s Italian na Rua de Victoria, perto da Catedral de Westminster, em Londres, quando soube da notícia: o restaurante não iria abrir e tinha ficado sem emprego. “Ao início, não acreditei”, contou à Reuters. “Gosto mesmo de servir as pessoas, mas é um momento bizarro: todos os restaurantes de cozinha descontraída nas ruas mais comerciais estão em queda”, disse, não sabendo se continuará a trabalhar no sector da restauração.

Jamie Oliver, de 43 anos, tornou-se conhecido depois de ter sido descoberto pela BBC e de protagonizar o programa televisivo Naked Chef (que se estreou em 1999 e acabou em 2001), assim como pelo sucesso dos livros com o mesmo nome.

chef britânico aproveitou a sua fama para decretar uma guerra contra o açúcar e contra a obesidade infantil, tendo pressionado o Governo britânico a aplicar um imposto sobre as bebidas açucaradas. “A maior parte das pessoas não percebe que as bebidas açucaradas são hidratos de carbono, e a maior fonte de hidratos de carbono na nossa dieta vem dos refrigerantes. Pensam que é da massa e do pão”, dizia em 2015, em entrevista ao PÚBLICO. Mesmo acreditando numa mudança de hábitos alimentares, reconhecia que, “quando as marcas de comida transformada, cheia de gordura e açúcar, começam a estar em todo o lado e a fazer imenso dinheiro”, isso torna o mercado mais “agressivo e ganancioso.”