Análise

O clássico do Dragão e o impacto no clássico do Jamor

Desta última jornada, em termos de arbitragens e casos de jogo, destaque para o clássico entre FC Porto e Sporting, até pelas incidências de natureza disciplinar que ocorreram e que lançam sobre a final da Taça de Portugal algumas “farpas” que podem, de certa forma, aumentar o grau de dificuldade do jogo no Jamor.

Aos 17 minutos tivemos a expulsão de Borja, um lance inicialmente decidido pelo árbitro com livre directo, mas apenas com cartão amarelo. É que, em jogo corrido, o facto de Corona só ter caído após ser rasteirado, e porque nesse momento estava também na jogada outro defensor leonino,  levou o árbitro a considerar apenas que se tratava de um ataque prometedor, pois “a possibilidade de intervenção de um outro jogador no lance”  fazia com que não estivesse reunida uma das quatro condições para a clara oportunidade de golo. 

Contudo, e após intervenção do videoárbitro (VAR), deu para perceber, com acesso à repetição, que há uma primeira infracção, agarrão de forma evidente e ostensiva, que impede claramente o jogador portista, que estava em velocidade e embalado, de se isolar, sem que mais ninguém pudesse intervir. Assim sendo, esta primeira infracção foi decisiva para converter, de forma correcta, a advertência num cartão vermelho directo - que, como é sabido, é um dos lances previstos no protocolo em que o VAR pode e deve intervir. 

Aos 36 minutos um golo bem anulado ao FC Porto, por fora-de-jogo de Marega, que no momento do passe do seu colega, Danilo, estava adiantado em relação ao penúltimo adversário, que na ocasião era Mathieu. Uma decisão correcta, confirmada pelas imagens e suportada pela tecnologia do operador que transmitiu o jogo, que dispõe das chamadas linhas virtuais. Algo que, curiosamente, deixa sempre o VAR em desvantagem, pois nenhum sistema destes está ao dispor dos videoárbitros. Este é um assunto sensível para o qual o conselho de Arbitragem já olhou e que está desde o início da época a tentar resolver, por forma a que os VAR possam dispor de algo que ajude na avaliação dos foras-de-jogo já na próxima temporada. 

Ao minuto 74, um caso de natureza disciplinar, de difícil análise em movimento rápido. Compreendo que o VAR possa não intervir, por considerar que não se trata de um erro claro e óbvio, mas no meu entender, e com uma mudança no protocolo, deveria pelo menos contribuir para que o árbitro pudesse ir ao monitor e verificar se mantinha o cartão amarelo ou se revertia a sua decisão para cartão vermelho. 

O lance envolveu Felipe e Diaby: o defesa portista pisou por trás e no calcanhar o avançado leonino, uma entrada com força excessiva, que pôs em risco a integridade e segurança do adversário e que se enquadra na chamada falta grosseira, que disciplinarmente implica uma expulsão. 

Ao minuto 87 o golo do FC Porto, decisivo para o jogo, um lance de dúvida e no limite, no que diz respeito ao fora-de-jogo, mas cuja decisão final, de validação, eu subscrevo em absoluto. Não se tratando de um erro claro e óbvio, deve o VAR abster-se de intervir, após checkar o lance. Dito de outra forma, as imagens não provam que haja fora-de-jogo de Herrera, que obtém o golo, no momento em que Felipe desvia a bola: fica a ideia de o pé de Bruno Fernandes validar todo o lance. Para além disso, foi correcta a interpretação do árbitro assistente, no que diz respeito às normas do International Board, que em lances no limite, como popularmente se diz, em caso de dúvida devem os liners deixar seguir e beneficiar o atacante. 

Ao minuto 89, deu-se o lance que mais gerou confusão, pois foram várias as atitudes e comportamentos incorrectos que se geraram, por parte de jogadores e dirigentes, e que, de alguma forma, poderão vir a criar condições menos positivas e mais conflituosas para o enquadramento da final da Taça de Portugal. Contudo, vou só debruçar-me sobre a expulsão de Corona, que no meu ponto de vista, foi bem expulso. Ao invés do que ouvi e li, ao porem o ónus e a crítica na decisão do árbitro, deveriam analisar, isso sim, o comportamento e atitude do jogador. Não foi o árbitro que o expulsou, foi o jogador que se expulsou, com a atitude que teve.

Primeiro, na forma como tentou tirar a bola a Acuña, tudo estava dentro da normalidade, ou seja, uma entrada apenas negligente, passível de cartão amarelo. Mas depois, ao ser empurrado por Petrovic, que foi também advertido por essa atitude, fez aquilo que não pode fazer, procurou tirar desforço da situação e tentou agredir o seu adversário. Ora, a lei é bem clara: Lei 12 - faltas e incorrecções, agredir ou tentar agredir é exactamente o mesmo para efeitos disciplinares, implica sempre um cartão vermelho. Foi isso que o árbitro fez.