Boeing assume falhas nos simuladores do 737 Max

Empresa norte-americana diz que correcções já foram introduzidas e prepara envio de novos simuladores às operadoras. Modelo envolvido recentemente em dois acidentes continua proibido de operar.

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Reuters/Mike Blake

Pela primeira vez desde dos dois acidentes aéreos registados com o seu modelo 737 Max, a Boeing reconheceu a existência de falhas no software do simulador usado para treinar os pilotos do aparelho, garantindo que os problemas foram agora corrigidos.

Num comunicado publicado este sábado, citado pela AFP, a construtora de aviões norte-americana anuncia a introdução de “correcções ao software do simulador do 737 Max” e de “informação adicional que garanta que a experiência de simulação é representativa em diferentes condições de voo”.

Não dando indicações de qual o momento em que se apercebeu da existência de problemas, a Boeing assume desta forma que os simuladores eram incapazes de replicar determinadas condições de voo, dando ainda conta que as alterações agora introduzidas serão capazes de melhorar a simulação relativa ao instrumento usado para controlar manualmente ângulo do avião, algo que terá desempenhado um papel nos acidentes ocorridos.

Os voos do modelo 737 Max foram globalmente suspensos no passado mês de Março depois do acidente registado com a operadora Ethiopian Airlines, que provocou a porte de 157 pessoas. Apenas cinco meses antes, na Indonésia, um voo do mesmo modelo operado pela Lion Air também se tinha despenhado com 189 pessoas a bordo.

A falta de treino dos pilotos com o novo modelo foi um dos problemas detectados, o que tem levado diversas operadoras a adquirirem simuladores para o efeito. Agora, diz a Boeing, a intenção é instalar o novo e corrigido software aos simuladores, permitindo que as operadoras procedam a novas acções de treino dos pilotos das companhias aéreas que trabalham com o modelo 737 Max.

O objectivo final da empresa é que os vários reguladores aéreos (incluindo a Agência Europeia de Segurança Aeronáutica) que proíbem neste momento o voo destes modelos ponham um ponto final na interdição.

Para a Boeing, as falhas que lhe são apontadas nos dois acidentes constituem uma das mais graves crises reputacionais que já teve de enfrentar na sua história. No passado mês de Abril, a empresa norte-americana, que em conjunto com a Airbus domina há vária décadas o sector da construção aérea no mundo, anunciou uma quebra de 13% nos lucros registados no primeiro trimestre deste ano. A proibição de utilização do modelo 737 Max foi a razão dada para estes resultados, cuja deterioração poderá prolongar-se pelos trimestres seguintes.