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Marcelino Paulino é dos últimos a tocar a roda a pé em São Pedro do Corval. “Quis manter sempre a tradição.”
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Os porquinhos mealheiros são das peças mais conhecidas da olaria de Salvatierra de los Barros

Entre o Alentejo e Badajoz, as vidas e as histórias que o barro amassou

São Pedro do Corval do lado de cá. Salvatierra de los Barros do lado de lá. Cem quilómetros distam uma história comum: dos arredores férteis em argilas ergueram-se aldeias de oleiros. A Festa Ibérica da Olaria e do Barro celebra há 25 anos uma tradição que vive entre a falta de aprendizes e um futuro que se abre a novos caminhos.

As mãos dançam na roda com subtileza e precisão. Estão no barro como o ar nos pulmões, os pés no caminho. Os olhos vão lá de vez em quando conferir aquilo que os dedos sabem de cor, parecem guiar-se sozinhos enquanto a conversa roda. Quando perguntam a Rui Santos há quantos anos trabalha o barro, ele responde 42. “É a minha idade.” Talvez ainda não tivesse dito as primeiras palavras, dado os primeiros passos, e já as mãos bailavam nas massas de argila.