Rangel diz que “amigos de Pedro Marques” são os que acham que portugueses gastam tudo em “copos e mulheres”

Candidato social-democrata acusa os socialistas Frans Timmermans e Jeröen Dijsselblom de querem “cortar nos fundos aos portugueses”

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Comício em Viseu com Paulo Rangel LUSA/TIAGO PETINGA
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Fernando Ruas juntou-se à festa laranja LUSA/TIAGO PETINGA

Paulo Rangel subiu na noite desta quinta-feira ao palco da aula magna do Instituto Politécnico de Viseu para dizer que os “amigos de Pedro Marques” Frans Timmermans e Jeröen Dijsselbloem querem “cortar nos fundos aos portugueses” porque acham que eles “só servem para pagar copos e mulheres”.

“Importa perceber quem é Timmermans”, disse o social-democrata para logo revelar que “são estas pessoas que se batem por uma Europa mais justa e por uma Europa mais social”.

Falando para um auditório que se encontrava com lotação esgotada, o candidato do PSD responsabilizou os socialistas por não haver reformas na zona euro, referindo que Pierre Moscovici, o comissário que tem a pasta do euro, e o actual presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, são socialistas.

Numa intervenção muito aplaudida, Rangel apontou o dedo ao PS de ser brando com os partidos da sua família política e perguntou de imediato: “Alguém viu o PS português, Costa, Mário Centeno ou Pedro Marques a defender que Jeröen Dijsselbloem devia sair do Eurogrupo quando disse que os portugueses só queriam copos e mulheres? Não, porque os socialistas são muito brandos com a sua família”. E atirou: “Os socialistas vêm agora dourar a pílula e dizer que eles são muito amigos dos países do Sul. Não vale a pena o PS vir com trunfos, jokers e manilhas porque a história destas pessoas fala por elas”.

A seguir, aproveitou para separar águas. O Partido Popular Europeu, família da qual o PSD faz parte, não funciona assim. “Temos muito orgulho em sermos do PPE, mas não temos nenhum problema em discordar porque nós defendemos o interesse nacional à frente do interesse partidário”, declarou, reafirmando que o PS limita-se a “copiar” o manifesto do Partido Popular Europeu.

Paulo Rangel regressou ao tema das ligações familiares no Governo de António Costa para questionar as “preocupações do primeiro-ministro com a falta de ética”. Para o cabeça de lista do PSD, estas preocupações vêm de um primeiro-ministro que “acha normal que o Governo esteja ferido pelas conexões familiares”. “Chegaram-se a contar 40 ligações familiares no mesmo Governo. E vêm falar-nos de grande seriedade, de grande probidade? Onde está a imparcialidade? Onde está a ética republicana? É preciso lembrar isto. Prega a ética para umas coisas e depois faz outras,” aponta.

O tema das famílias no Governo havia sido abordado antes por Fernando Ruas, eleito eurodeputado em 2014 quando disse ser “confrangedor” que o candidato do PS nunca ande sozinho a fazer campanha. “O Governo vai-se revezando e estará em Bruxelas todas as semanas”, afirmou, sublinhando ainda que “esta ida de ministros a Bruxelas não terá muitos transtornos”, porque – apontou – “quando vai o marido, fica a mulher; quando vai o pai, fica a filha”.

Para o fim ficaram as falhas nos serviços públicos registadas nos últimos dias e que evidenciam, na opinião do candidato social-democrata, a incompetência do Governo de António Costa. Os exemplos apontados por Rangel têm a ver com a supressão de 57 comboios na linha de Sintra nos dois últimos dias e o número de cirurgias em que o tempo máximo de espera mais do que duplicou.

O candidato diz que “o PSD não se conforma” e que “o Governo pode fazer as alianças políticas que quiser, pode escolher as políticas que quiser, mas há uma coisa que é certa: vai ter de pagar o preço de ter deixado os portugueses em alguns dos seus direitos essenciais numa situação que é indigna”.