Falta de polícias na Suécia leva sindicato a sugerir recrutamento na Noruega

Sindicato diz não haver outra solução à vista perante o reduzido número de novos recrutas e os muitos agentes a abandonar a profissão. A única barreira, de momento, é a nacionalidade.

Polícia sueca em Uppsala, a norte de Estocolmo
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Polícia sueca em Uppsala, a norte de Estocolmo TT News Agency/Reuters (arquivo)

A enfrentar uma crise de recursos humanos, o sindicato de agentes da polícia da Suécia sugeriu ao Governo para recrutar agentes no país vizinho, a Noruega, considerando que esta é a "solução possível” neste momento. Os sindicalistas indicam que na Noruega há cerca de 250 profissionais prontos a exercer, mas que não têm lugar nas forças policiais daquele país, e que poderiam ser utilizados pela Suécia.

À britânica BBC, a polícia sueca diz não ter planos para recrutar agentes treinados noutros países, mas afirma querer reforçar o seu contingente com sete mil homens até 2024.

A vice-presidente do sindicato sueco, Anna Dennis, afirma que o elevado número de vagas por preencher nas esquadras do país está relacionado com a elevada taxa de insucesso das academias de polícia – que exigem testes físicos e psicológicos, carta de condução, capacidade de nadar, cidadania sueca e o cumprimento de um plano de estudos com duração de dois anos e meio. Para Dennis, o motivo são os baixos salários oferecidos pela polícia sueca, que não estão a atrair candidatos mais aptos.

Em 2018, e segundo o sindicato, o número de agentes a abandonar forças policiais suecas disparou para 888, mais 276 do que o registado em 2011.

Na Noruega, por seu turno, muitos agentes saídos das academias acabam por não encontrar colocação devido ao desinvestimento do Governo no sector.

A Suécia e a Noruega partilham recursos para vigiar a sua fronteira comum, que tem uma extensão superior a 1600 quilómetros. No entanto, não existe actualmente qualquer protocolo que possibilite que agentes de um país integrem as forças policiais da nação vizinha.

Um cidadão norueguês interessado em servir a polícia do país vizinho encontra-se actualmente impedido pela exigência de nacionalidade sueca, que em regra só pode ser obtida após cinco anos de residência legal no país.